segunda-feira, 19 de maio de 2008

O Santo Império Romano-Germânico

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas
imagem do Kaos
De entre as poucas coisas que o "Arrebenta" e o seu criador têm em comum, uma ressalta: ambos são figuras que gostariam de ser discretas, mas não conseguem. A segunda é que ambos se sentem deslocados no correr do Rio do Tempo, em que se encontram, e a terceira é uma mera consequência das duas anteriores. Ontem, ao telefone com o Paulo Pedroso -- o nosso, não o dos processos contra as testemunhas -- afirmava-me, ele, que este era o blogue do Arrebenta, ora, o Arrebenta não é dono de coisa nenhuma, e eu, seu autor, começo por detestar o próprio "nome", "Arrebenta", que só foi crismado, nos velhos tempos em que as caixas de comentários do "Expresso on-line" eram o primeiro espaço de debate virtual com projecção e qualidade, e eu tinha de criar uma figura que trabalhava no Alto do Parque Eduardo VII, e assim ficou.
Este não é, pois, o blogue do Arrebenta: é o blogue das pessoas que gostam de estar no blogue onde o Arrebenta está, e isso é a melhor prova de afectividade que poderia eu, seu autor, receber, e que, desde já, devolvo aos nossos colaboradores e leitores. Parecendo que não, com as nossas oscilações, agruras e glórias, vamos fazendo um pouco da história da Blogosfera, e as nossas vicissitudes encontram um paralelo muito antigo, um dos pilares, com Cristo, do nosso imaginário Ocidental, o de Ulisses, que erra e aporta, e naufraga e se engana, e conhece os infortúnios e venturas das longas navegações. Algures, uma imaginária Penélope fia, e desfia, durante a noite, à espera do nosso regresso, e aqui penetramos no Mito do Oriente, e também somos, à nossa maneira, o Eterno Retorno.
Estava a olhar aqui para baixo, onde toda a gente se digladiava, e a pensar no carácter efémero de todas essas disputas, já que, no âmago da coisa, todos temos uma vasta faixa de pensamento comum. É, talvez por isso, que somos não-ideológicos, e profundamente políticos, na forma mais arredada da nossa maneira lusitana de ser, que é a Intervenção Cívica. Não há aqui quem não ache que um Mundo com menos representantes da espécie, que menor respeito tem pelo seu Meio, seria substancialmente melhor, mas não de acordo com os cegos critérios de Bilderberg, onde perece sempre o mais fraco; toda a gente, aqui, seria incapaz de matar um animal, apenas para lhe vestir a pele; todos sabemos que assentamos num Mundo de recursos finitos, e todos concordamos que a sua distribuição é um dos maiores escândalos da nossa contemporaneidade; todos escrevemos bem, e sabemos que isso é uma arma fatal; todos sabemos que uma imagem, bem afinada, destrói quaisquer mil argumentos; temos um vasto consenso sobre a mediocridade geral da Política, e a consciência de que, com rosto, ou sem rosto, navegamos hoje numa Baía de Manipulações; todos fomos traídos por Sócrates, como, já antes, tínhamos sido traídos por outros; todos acreditamos em que os valores iluministas, por muito desgastados que sejam não têm alternativa viável, muito menos nas Idades Médias de Opus Deis e afins (Têm, aqui, um exemplo do que poderia ser o horror alternativo dessas... sensibilidades ).
Afora isso, não partilhamos as mesmas memórias, eu, por exemplo, nunca pus os pés na África Portuguesa, mas tive familiares que lá foram caciques, e, talvez por isso, não tenha vontade de lá ir, ah, sim, sobretudo, enquanto forem governados por criminosos...
O Fado levantou uma temática com alguma pertinência, que é a da vacuidade da Informação, que, só esporadicamente, cumpre o seu papel, vá lá, etimológico: o de... informar. É insuportável, para quem goste do seu, enfim..., país, que um dos poucos actos, aparentemente inteligentes do "Eng.", ir à Venezuela, tentar criar uma protecção nacional para o cataclismo energético, fabricados nas Bolsas e nos bastidores da Ganância Financeira, seja imediatamente afundado num "fait-divers", à Cláudio Ramos, que toda a gente critica, e que diz representar o rés-do-chão da nossa vivência. O contraponto é que somos especialistas em anedotas, e a boa, realmente, é que Sócrates, como diz o quink, deveria ter feito como o cidadão comum hoje faz, sempre que sente necessidade de fumar: ter ido, por instantes... lá fora.
No meio disto tudo, alguns dos nossos detractores, que dizem que a Blogosfera vive da mera pendura das notícias, já de si flácidas, até têm razão. Basta que isto se afunde no marasmo, em que tem andado ultimamente, para que, na sua grande maioria, ninguém mais saiba sobre o que escrever.
Eu tenho algumas histórias, mas não me apetecem para hoje. Preocupam-me as encomendas de armas violadas, que se tornaram uma rotina na fronteira da Portela, para pesadelo da PSP, da GNR, do SIS e afins. Não incorro naquela célebre frase do Cavaco, quando começaram as pilhagens dos Fundos Estruturais, que "mesmo desviados, ainda, tinham uma coisa boa, que era estarem em mãos portuguesas (!)..." Bem se viu em que mãos, e que resultados trouxeram, e, quanto às armas, penso exactamente o mesmo.
Desde Vespasiano que o dinheiro não tem cheiro, já para não falar do "Cabaret", do "Money, money, money".
"Money", em Cultura, representa perda de Tempo.
Na Cultura, Time is not Money: Tempo é Tempo, e Dinheiro é Dinheiro. Arraçar os dois dá Hermanns, Cláudios Ramos e outras epifanias do Efémero.
A hora é tardia, e tenho de voltar a embarcar na Barca de Caronte. Nisso tenho sorte, estou como aquelas mulheres de rua, que, quando se cruzavam com Dante, lhe apontavam o dedo e diziam, "olha, aquele ali vai ao Inferno, quando quer, e depois volta". É verdade, costumo frequentar a barca, que geralmente apenas tem um sentido, mas, até aí, a coisa já anda estragada: com dois aumentos especulativos de combustível, o melhor era, mesmo, alinharmos em actos cívicos de boicote, e fazer como se faz lá fora: não compramos, e ponto final. Avisem-me, com antecedência, para não embarcar, nessa noite. Tenho medo do escuro.

5 comentários:

Paulo Pedroso disse...

Meu caro,

Precisemos o pormenor. Eu disse que considero este blogue essencialmente teu. E isto é apenas a repetição do que já tinha escrito no anterior Braganza.

E digo isso, não porque não sinta que este blogue também é meu, ou que não é também dos outros colaboradores, para além de ti, mas sim, como escrevi na 1ª versão do Braganza Mothers, pelo facto de todos nós estarmos aqui graças a um convite teu.

É nesse sentido que digo que este é um blogue essencialmente teu. Até porque, para além disso, acho que todos nós, colaboradores, comentadores e leitores do Braganza, concordam que é a personagem Arrebenta que atrai os visitantes e estimula das glândulas salivares de muita gente.

Duvido muito que alguém venha aqui só para ler os meus lençóis!

:-))

Lola Chupa y Mete disse...

Alguém chamou!?...

Paulo Pedroso disse...

Sim, faça o favor de ajoelhar!

:-))

Heliogabalus disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Madame Mao disse...

Já passou a "controleira"...