quinta-feira, 22 de maio de 2008

para lutar contra os monstros "inigualitários"... é preciso muita coragem!

Os programas de luta contra a pobreza não têm funcionado porquê?

Todos os projectos são desenhados de modo a não mexer no resto da sociedade. Essa é uma limitação decisiva. Se não há mudança social, não pode haver erradicação da pobreza. Se os programas não tocam no resto da sociedade, tentam resolver a pobreza dentro do universo da pobreza, mas não estão a resolver as causas.

Isso confirma que o problema não se resolve só com políticas sociais.

Por definição: se tenho um problema de repartição primária (o dos salários), ele resolve-se por via da política económica.

Há uma afirmação dura: “A sociedade portuguesa não está preparada para apoiar as medidas necessárias” no combate à pobreza...

Isso porque num inquérito europeu de 2002 dois terços dos portugueses atribui a pobreza a factores que não são solúveis: fatalismo, má sorte, preguiça dos pobres. Se eu disser que vou tomar uma medida que terá alguma desvantagem para os que têm mais rendimentos, a sociedade portuguesa não vai perceber isto. Um dos programas de luta contra a pobreza tem que ser o de esclarecer a opinião pública sobre as verdadeiras causas da pobreza.

Está também disseminada a ideia de que há muitos pobres que abusam...

É uma atitude culpabilizante. Na transição do Rendimento Mínimo Garantido para o Rendimento Social de Inserção, no debate público que houve parecia que as pessoas estavam mais interessadas em combater a fraude dos pobres do que em resolver o problema da pobreza. Isto é expressivo de uma mentalidade.

vindo daqui....

8 comentários:

Paulo Pedroso disse...

Não vejo razões para tanta preocupação!

Afinal de contas, com as soluções de Esquerda que têm sido continuamente aplicadas no nosso Sistema de Ensino, onde facilmente se arranjam diplomas e certificados escolares à conta do laxismo, da preguiça, da desordem, do desrespeito, do facilitismo, da desobediência, da desmeritocracia, da desexigência, da desresponsabilidade, e do resto dos "des" e dos "ins" que agora não me lembro mas que estão lá todos à conta dos "grandes intelectuais" que o (des)montaram e o (des)construíram de forma a permitir que qualquer badameco (a expressão não é minha) possa passar de ano sem aprender nada, podendo candidatar-se à entrada no mercado de trabalho com as qualificações próprias de um macaco adestrado de um circo indiano.

A quem é que interessa a criação de uma classe de cidadãos completamente acéfalos, sem espírito crítico, sem capacidade de análise e de entendimento, sem capacidade de reivindicação e facilmente manipulável?

Os intelectuais de Esquerda que (des)montaram este Sistema de Ensino que limpem as mãos à parede!

e-ko disse...

não nego que muita irresponsabilidade de gentes de esquerda esteja por muito em muito do que se passa que é bem partilhada por outros tantos de direita...

mas nesta questão não está a ver bem o que realmente se passa!...

há hoje muita gente que tem qualificações e capacidades e que se encontra a trabalhar em situações precárias e que nem conseguem um salário mínimo ao fim do mês... e para muitos postos de trabalho não é necessário mais do que o 8º e 9º anos, apenas uma pequena adaptação profissional...

é muito fácil atirar a responsabilidade de todos os males para cima "da esquerda" quando as classes dominantes nas decisões económicas estão mais próximas da direita!

Paulo Pedroso disse...

Bem, em primeiro lugar, eu não estou a atribuir toda a culpa à Esquerda. Limitei-me a constatar um facto óbvio: o sistema de ensino é a principal plataforma de criação de progresso e de desenvolvimento, o que conduz à eliminação das desigualdades, e esse Sistema de Ensino tem sido todo ele "construído" à conta dos grandes ideiais de uns ideólogos, pensadores e intelectuais de Esquerda.

Depois, quando as pessoas abandonam o sistema de ensino, as questões de absorção do mercado de trabalho são muito diferentes. Nem vale a pena estar a desenvolver tal é a complexidade do assunto, envolvendo coisas como competitividade, estatismo, produtividade, competição internacional, proteccionismo, níveis e capacidades de inovação e de investimento, etc.

Por isso, ninguém está a atirar a culpa para cima da Esquerda. Apontei apenas um grande, enorme, monstruosamente enorme, erro dos ideólogos de Esquerda ao construir um Sistema de Ensino baseado no deixa-andar, no laxismo, no facilitismo, na desresponsabilidade.

Todos os anos, o nosso Sistema de Ensino lança hordas de mentecaptos para que um mercado de trabalho supostamente cada vez mais exigente, mais competitivo e num contexto de maior competição internacional, tenha que os absorver.

Sabe, E-Ko, eu não sou a favor das desigualdades profundas mas, em todo o caso, prefiro uma sociedade com a riqueza de Portugal, com todas as suas desigualdades, do que a sociedade Cubana ou Norte Coreana, com todas as suas igualdades. E você, prefere todos igualmente miseráveis ou só uma parcela da população na pobreza, com uma classe média forte e alguns muito ricos?

Eu não tenho dúvidas que, miséria por miséria, é preferível a segunda situação. Todos sabemos no que deram os modelos que tentaram instaurar a igualdade como valor absoluto. Conseguiram alcançar a igualdade total (ou quase, se nos esquecermos das elites), deixando toda a gente igualmente miserável.

Sabe, uma vez mais, diz que eu não estou a ver bem o que se passa.
A E-Ko, que percebe muito mais de cinema que eu, deve saber que, quando a lente foca um objecto próximo, o que está ao longe desvanece-se, e vice-versa. Digamos que a E-ko é perita em focar os objectos próximos, enquanto eu procuro ver o que se encontra por detrás deles.

Essência Existêncialista disse...

RECAUCHUTAMENTO PERMANENTE DO CAPITALISMO É INSUSTENTÁVEL

CAPITALISMO, como o próprio nome indica, é, o sistema socioeconómico dos capitalistas, objectivamente, não resolveu os problemas sociais do mundo, antes pelo contrário, a todos agravou, já à muito tempo deveria dar lugar a um outro sistema de sociedade só, ainda não aconteceu, por razões de ordem subjectiva, aquelas que se prendem com o entendimento das pessoas e, que os capitalistas por intermédio dos seus meios de diversão da opinião pública, teimam, em perpetuar, mesmo que temporalmente, vão resistindo à mudança para não perderem os privilégios, mesmo que à custa, e esquecendo os cerca de dois mil e quinhentos milhões de pessoa a sobreviver com menos de dois dólares por dia.

Só a luta constante, e o envolvimento dum número cada vez maior de pessoas, pode pela interacção desenvolver o nível de consciência socioeconómica a um nível que vai criar as condições de rotura definitiva com o preestabelecido, pondo fim ao anacrónico sistema capitalista, ao qual sucederá um mais justo, e, equitativo.

Paulo Pedroso disse...

Sim, sim! Pois!

Já o Cunhal falava em faróis do progresso...

O capitalismo é mesmo muito mau mas são as sociedades capitalistas onde existe maior bem-estar, maior riqueza e classes médias bem instaladas.

Ao contrário do que dizem por aí os chavões ignorantes, a globalização não está a fazer dos ricos cada vez mais ricos e dos pobres cada vez mais pobres.

Nas últimas décadas, com o acentuar da globalização, a América Latina e a Ásia têm dado saltos enormes em matéria de riqueza, consumo, bem-estar e desenvolvimento. A escolaridade, a esperança de vida e os rendimentos nessas regiões tem aumentado a ritmos muito superiores aos dos países desenvolvidos. Essas regiões do mundo estão, aos poucos, a desenvolver-se.

Em contrapartida, África é a única região do mundo onde subsiste uma profunda miséria e sabemos muito bem porquê.

Também é certo que podemos focar a atenção no farol Norte Coreano, como dizia Cunhal.

Será que se esqueceu de ler que os países mais igualitários são precisamente aqueles que têm um PIB maior?

Galeriacores disse...

Julgo que em relação à pobreza em Portugal não podemos culpar apenas o Governo. Tudo isto está relacionado com a problemática económica mundial. O próprio governo não tem culpa, por exemplo, de Portugal ser um país pobre e de haverem poucas indústrias no nosso país e, além disso, dos empresários que têm muito dinheiro não estarem a investir como seria desejado. (Não há cabeça!)


De salientar que Portugal, na era dos descobrimentos, já foi uma grande potência mundial e, na minha opinião, teria capacidade de o ser actualmente caso os portugueses (ao exemplo dos ingleses) tivessem tido cabeça para aproveitar os recursos das ex-colónias. Infelizmente todos nós sabemos que esse não foi o caso.

e-ko disse...

galeriacores,

não, a economia internacional não tem o peso que atribui... como se explica que pequenos países europeus tenham uma economia pujante (até a república Checa já ultrapassou os nossos indicadores económicos) e que Portugal esteja ainda ao mesmo nível dos anos 80 nos números da pobreza e com um fosso crescente em relação aos mais abastados ?

Paulo Pedroso disse...

Tem toda a razão!

A culpa não é, essencialmente, deste governo! As origens deste problema são estruturais.

Têm a ver com a herança de Salazar.
Têm a ver com as políticas de facilitismo do actual Sistema Educativo.
Têm a ver com a debilidade das nossa sociedade civil.
Têm a ver com a reduzida capacidade de empreendedorismo e de geração de inovação.
Têm a ver com a separação dos mundos académico e empresarial.
Têm a ver com com muitas coisas.

Uma das principais, senão mesmo a principal, é a natureza, tipo e qualidade do actual sistema de ensino.