sábado, 17 de maio de 2008

Fumar Mata As Notícias


Sócrates fumou um cigarro inocente no avião. Reacções? Caiu o Carmo e a Trindade. É assim a Lisboa política: reage com indignação moral a «fait-divers» ridículos
Henrique Raposo


Cinco-jornalistas-cinco no Expresso de esta semana encontraram motivo para falar no cigarro de Sócrates.

Um deles, o senhor Director, aproveitou para voltar a dizer o nome do fulano e do jornal, já agora são Luciano Alvarez e o Público.
Sobre este senhor é curioso ler que ele próprio confessa que viajou a convite do Governo.
Se alguma vez lhe der na real vontade convidá-lo para sua casa já sabe com o que conta.
Se a sopa estiver esturrada ele vai botar a boca no trombone, se não estiver é possível que faça o mesmo.


Outro dos empregados do jornal foi o senhor Daniel Oliveira.
Este como é seu normal não consegue ver as coisas com clareza e assim começa logo por dizer que “Em qualquer outro voo, se qualquer pessoa puxasse de um cigarro não chegaria à segunda bafurada.” Por acaso é baforada e não se percebe como é que os revisores do Expresso deixam passar tanta gralha.
E depois continua comparando um voo fretado a um voo comercial e termina declarando que
“é proibido fumar, sem qualquer excepção, em transportes aéreos”.
Ora das duas uma, ou ele não conhece o projecto A380 ou quer evitar que ele venha a Portugal.


Houve, felizmente, uma voz sensata e gosto de o dizer até porque normalmente na sua escrita encontro sempre amplos motivos para me desiludir.
Ora ele toca no ponto sensível quando reconhece que aquela era “a excepção privilegiada de um voo fretado” e lamenta e com muita razão que “
é preciso ter um estômago à prova de vómitos para, sendo jornalista convidado a bordo do avião do Governo, aproveitar a oportunidade para denunciar as fraquezas íntimas dos governantes.”.
Termina sugerindo que
“Eu, se fosse o primeiro-ministro, da próxima vez dizia-lhes: “Agora vão em voo comercial e paguem os vossos bilhetes”.”.
Nem mais.

Foi Miguel Sousa Tavares

Esta polémica veio tão a propósito distraindo os senhores jornalistas do verdadeiro trabalho de apontarem o péssimo caminho para onde corre o país que atrevo-me a dizer foi o cigarro que melhor soube ao Nosso Primeiro.

2 comentários:

Arrebenta disse...

Isto vem exactamente, não na sequência, mas na antecedência de um texto que vou escrever.
Como diria a Rebelo Pinto (quando não está com a boca ocupada), não deverá ser por acaso que este grupo de escribas anda por aqui :-)

Fado Alexandrino disse...

Aye Aye Sir!