quarta-feira, 9 de julho de 2008

O País das soluções para lá do credível

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas
Com imagem do KAOS, mas dedicado ao Fado Alexandrino, que escreveu o melhor argumento Maddie de sempre: aquilo, agarrado pela imaginação de Manoel de Oliveira, dava um filme com 103 horas, "non-stop", a estrear no extinto "Oilímpia"
Há uma daquelas anedotas, de café, que diz que há as soluções óptimas, as muito boas, as razoáveis, as assim-assim, as más, as péssimas, as que nem lembravam ao Diabo e... as Portuguesas. Este ano, a "Silly Season" -- já repararam que já devíamos estar todos de férias, e ainda continuamos aqui, em plena câmara ardente?... -- vai ser uma "silly season" à Portuguesa. Confesso que, mesmo eu, que me tenho na conta de pessoa de imaginação variada, não consigo prever todos os disparates voluntários, ou involuntários, que vão acontecer até Outubro, se houver Outubro. Até lá, haverá um pessoal, com ar cada vez mais das barracas, a ir apanhar insolações em Carcavelos, e suponho que isso seja o retrato daquilo em que as políticas de consolidação orçamental transformaram o cidadão médio-baixo lusitano. Foi um bom trabalho: o Orçamento derrapou ainda mais, e o aspecto do pessoal da rua desceu a patamares próximas das Épicas Soaristas ou Gonçalvistas. Parabéns ao Sr. Sócrates e ao seu padrinho, Aníbal, bem como aos seus antecessores, que fizeram o ensaio geral, José Manuel Durão Barroso e o Portas, dos submarinos. Um pouco mais de esforço, e teremos, dentro de cinco anos, fotografias a preto e branco, para mostrar o carácter premonitório do espólio do futuro Museu do Maior Português de Sempre.
A "Laura" anda no ataque, na Praia do Cavalo Preto, portanto, todas as ligações do ALLGarve são "dela", e fez-me relembrar, a propósito do Incêndio da Avenida, um momento do "Casablanca" -- e é aqui que entra o Alexandrino -- em que o polícia, acho que no meio de uma sarrafada qualquer, da qual já se tinha perdido o controlo, uma espécie de Maddie do Magreb, solta uma frase célebre: "prendam os culpados do costume!...".
No incêndio da Avenida só poderia haver dois culpados, ou o Bibi, que não usa fósforos, ou o Vale e Azevedo. Disse-me anteontem, "queres apostar como vão já prender o Vale e Azevedo?...", e acertou. Coitado, não pode sair mais do Reino Unido, quem me deram prisões dessas, do género, nunca mais pode sair do Palácio de Versalhes, e eu ralado.
Na heráldica do senso-comum, Vale e Azevedo incarna o cabeça de turco. Para mim, ignaro em Futebol como só os Portugueses em Matemática, nem sei quem seja o Vale e Azevedo, já que a minha cultura do Esférico se esgota nos tempos em que a Margarida Prieto, uma puta pré-carolinense, tinha, na "Catedral", uma capelinha de missas negras, sempre cheia de crucifixos invertidos, de velas negras, e de penas de galinha queimadas, uma nojice, mas que dava para o clube ir perdendo. Bons tempos. Suponho que tenha tudo melhorado, e agora vão às videntes da Bahia e de Fortaleza, ou lhes paguem as viagens cá. Todo o "staff" desta merda é seu cliente, e pagam 100 000 € por "desmanchos", "desencostos" e "branqueamentos". Os seus clientes são Cavaco, Mário Soares, Jorge Sampaio, assim como o foram o defunto Champalimaud, e tantos outros dessa laia. É caso para dizer que a primeira capital do Brasil se converteu, por inerência, na última capital simbólica de Portugal, e nada de mau, de aí: antes isso do que ser Harare.
Estou com pena de Vale e Azevedo: deram-se ao trabalho de ir lá fora prender o vadio, só porque ele fazia compras nos sítios caros onde a inveja portuguesa do LIDL não podia ir. Podiam ter aproveitado para levar um mandato de captura internacional contra os McCann, mas isso já é areia a mais para a última camioneta que se chamará Portugal.
Por todo o lado estamos a regressar ao Portugal Chão, tal como o idealizou Salazar -- "nós cá somos mais modestos...", e vai-nos acontecer o mesmo que acontece àquelas velhas dos cãezinhos lambe-conas: ao fim de décadas de convívio e intimidades com o quadrúpede, ambos passam a ter semelhanças de focinho. Prevejo que a genética portuguesa dos próximos tempos, com a taxa Euribor altíssima, a inflação estratosférica, o país todo incendiado, os vândalos a atacar pela noite e o Estado entregue a si mesmo, todos nós comecemos a ter alguns tiques fisionómicos, que parecerão os focinhos ressequidos e empalhados de Aníbal e Ferreira Leite, com algumas excepções, que faram relembrar a batata arrebitada da nossa Golda Meir de Vilar de Maçada. Olhe já amanhã para o espelho, e veja se eu tenho, ou não tenho razão...

5 comentários:

quink644 disse...

http://thebraganzamothers.blogspot.com/search/label/acordem%20carneiros...

quink644 disse...

quink644 : ouve isto e se já alguémtiver ouvido algumacoisa parecida diz... (atenção deve ser ouvido alto, de preferência com auscultadores...)
http://porquemedizem.blogspot.com/2008/04/indialucia.html#links

gotika disse...

Se o Arrebenta visse a minha roupa dava-lhe um chilique: "Ai q'hórror, filha!". Mas que fazer, a roupa dos chineses é feia, horrível, e não há dinheiro para umas calças com um corte decente que não sejam umas que ainda vou arranjando, com defeito de fabrico. Ando na rua assim, com calças sem cor e t-shirts com buracos. Tenho vergonha? Não. Disso não. Não pagam para mais.
É de facto a fase Chã, grande alegoria com a arquitectura.

Farelhão disse...

Engana-se, meu caro. Dentro de pouco tempo, o PSD, qual fénix renascida, fará substituir a Leita pelo António Broches ( ou será Borgues? ) e aí sim. A confiança irá ressuscitar no coração dos arraçados lusitanos, será enterrado o nacional pessimismo e uma nova aurora despontará para todos os filhos desta Pátria abençoada pela Virgem.
Enquanto isso, ouvir-se-á em fundo: " levados, levados sim..."

e-ko disse...

eu acredito que toda a gentinha, os 50% que vivem à volta do limiar de pobreza e sem margem de liberdade, porque os outros 50% até se safa e vai de férias para os paraísos sem fiscais, à conta de contos mal contados ao fisco, que anda para aí... levada... sim, levada... nas cantigas da treta dos políticos da treta que temos, já está completamente entorpecida e anestesiada, tanto se lhes faz! que seja deleite ou broche, é vira o disco e toca o mesmo, só o boneco é que muda.

o 25 de abril foi um momento de excepção neste país. daqui para a frente prozacs, futebol, e telejornais sem princípios meios nem fim, fazem o resto!

agora, quem não tem dinheiro nem prozacs e não gosta dos nossos telejornais nem de futebol - uma pequeníssima minoria - só pode dar graças à virges de fátima, produzidas em cadeia num qualquer país asiático, pela existência de lojas dos 300 e dos chineses, o que é quase a mesma coisa, para ficarem com margem para pagar os meos e os sapos que vamos engolindo sem anestesia!

bahhhhhhhhhh!!!