sábado, 3 de maio de 2008

O mundo vai continuar a mudar com a televisão

Em 1980, existiam apenas 5 aparelhos de televisão, por cada mil habitantes da China, ou seja, deviam existir um pouco menos de 5 milhões de aparelhos para uma população total de 999 milhões. Em 2004, já existiam 350 televisões por cada mil habitantes da China. No período de um quarto de século, a China passou de pouco menos de 5 milhões de televisores para 458 milhões!!!
Recordam-se quando, numa das minhas anteriores publicações, falei sobre a pirâmide de necessidades de Maslow? De certeza que ninguém vai comprar uma televisão quando as suas necessidades mais básicas estão por satisfazer. Ora, se os Ocidentais querem ter mais (rendimentos mais elevados, mais e melhores casas, mais e melhores carros, mais e melhor turismo, mais e melhor alimentação, mais e melhor de tudo um pouco), não sei porque razão os restantes povos do mundo não podem aspirar à satisfação das mesmas necessidades!? Nós não somos mais do que eles, certo? Quando um português sente fome, não tem sensações diferentes das de um chinês na mesma circunstância. E quando um português saliva desalmadamente porque deseja um BMW, não sente nada de diferente de um chinês que quer o mesmo.
O problema mesmo é quando apanhamos pela frente pessoas, como o ditador do Zimbabué, que gostam muito de contas de dividir mas que se esqueceram de ir às aulas no dia em que a professora primária deu essas matérias. De facto, há imensa gente de Esquerda que passa a vida a atirar pedras contra a Globalização. Mas tem sido a Globalização que tem aumentado significativamente os rendimentos de centenas de milhões de pessoas no Mundo inteiro. Dizem os combatentes da Esquerda mais profunda, que a Globalização explora os povos do mundo. No entanto, em nada se distinguem dos neo-liberais no que diz respeito ao uso dos limitados recursos do Planeta Terra. Enquanto o neo-liberalismo explora até à medula os recursos do Planeta, a mais sinistra das Esquerdas continua a proclamar que devemos elevar os patamares de consumo para todos os habitantes da Terra, sem se importarem minimamente se a divisão está a ser feita por mil, por um milhão ou por cem mil milhões. Uns e outros, à Direita e à Esquerda, querem usar este planeta como se ele fosse descartável.
Pois, NÃO É!
Há mais inveja no sangue do Homem do que hemoglobina. Tudo, em nós, funciona com base no que os outros têm. Se os outros têm, eu também quero! Ainda muito recentemente, estive ao telefone com um amigo que me contou como um conhecido nosso criou um pequeno negócio e já se andava a passear num Porsche. E, dizia o meu amigo ao telemóvel: "Porra, Paulo, já viste? Até aquele tipo já anda num carrão??!!" Não há nada de errado nesta pergunta, pois não? Você nunca estabeleceu padrões (mesmo que inconscientemente) sobre o estatuto de muita gente com base no veículo que conduzia? A imagem, a percepção que fazemos da condição social de uma pessoa, passa por questões como a marca, modelo e tipo de carro(s) que possui, a casa que habita, as marcas que veste e calça, enfim toda uma panóplia de materialidades.
Se você puder comprar um carro de alta cilindrada de uma marca de prestígio, prefere gastar o seu dinheiro num veículo de média ou pequena cilindrada de uma marca corrente? De certeza que há pessoas assim, mas a maioria, podendo comprar um BMW série 5 não compra um Peugeot 307. Se aquele seu vizinho, que você detesta, aparecesse com um carro novo, topo de gama, você não ficava todo roídinho de inveja, mesmo que não o confessasse?
Todos desejamos um mundo mais igualitário, mas temos de perceber que, com os recursos finitos do Planeta, ou somos, no máximo dos máximos, 2 mil milhões e talvez possamos andar todos em Peugeots 206, ou somos 9 mil milhões e teremos todos de andar de carroça.
E você, preferia ter um BMW na garagem ou 1000 BWVs na estante?

Também quero mamar!









O PROFESSOR SENTADO

Reproduzo abaixo este excelente resumo de António Bettencourt, sobre o romance de Carlos Ceia dedicado aos ridículos da academia portuguesa no domínio da literatura. De facto não é preciso muito para sabermos que o mesmo se aplica aos departamentos de ciências sociais, psicologia e ciências da educação. Julgo mesmo que a universidade portuguesa atingiu um tal estado de decadência intelectual nestas áreas que chega a meter aflição. A única solução é mesmo a mistura progressiva no espaço europeu.
Aqui:
Carlos Ceia, O Professor Sentado, um Romance Académico, Lisboa, Edições Duarte Reis, 2004

A cadeira do Professor


Carlos Ceia, professor universitário com uma extensa obra crítica, estreia-se no romance com uma história algo inesperada, satírica e divertida: uma personagem, também de nome Carlos (Magalhães), que coordena o Departamento de Estudos Literários e Culturais da Universidade Imperial de Lisboa, envolve-se em diálogos e disputas com Augusto Chagas, professor de Teoria da Literatura e Crítica Literária do mesmo departamento (que se aparenta ao alter-ego ficcional do autor), sendo ambos as personagens centrais do texto, que conta com muitas outras mais, do meio universitário ou cultural contemporâneo, configurando-se o texto sob a forma conhecida por romance académico. Uma autêntica colmeia de tipos, com seus tiques e toques, surge-nos em situações de aulas, exames, concursos, artigos e livros, leituras, intrigas, dislates, e o leitor vai aprendendo, reconhecendo, rindo e reflectindo.
O romance, sob a influência assumida sem ansiedades ou angústias de David Lodge e de outros nomes consagrados do género, está construído em múltiplas camadas narrativas (multi-layered novel) e é uma paródia ao mundo académico português, à critica literária e a todo o universo cultural ligado à literatura, salientando com alguma virulência as suas falácias, injustiças, ridículos e compadrios. Sátira perspicaz de muitos dos métodos aí utilizados, nela se narra intermináveis e surrealistas reuniões onde não se produz nada, onde a ignorância geral e a incompetência são confrangedoras, onde assuntos sérios são debatidos de forma ligeira e pouco digna. Nele se faz referência a aulas de docentes incapazes de renovação, que repetem ad nauseam programas cientificamente desactualizados; a promiscuidades entre a universidade e um poder político onde pontificam os medíocres bem relacionados; a correcções de testes e exames feitas sem seriedade, em que os docentes nem se dão ao trabalho de ler o que os alunos escrevem, classificando por impressões ou de modo aleatório; a relações de poder entre professores, alunos e funcionários onde não falta o assédio sexual e a permissividade; tudo questões que a intriga do romance denuncia, assumindo-as como relevantes para a construção do ensino em ordem a possibilitar uma sociedade melhor.
Nomeadamente, nele se ergue a crítica à injustiça das provas de pós-graduação, onde o poder discricionário dos professores destrói ou promove carreiras a seu bel-prazer ou ao sabor da ignorância. É o caso de duas personagens, Jorge Rodrigues, que defende uma tese um pouco caricata, com muito pós-modernismo à mistura, sobre as crónicas de Jorge Listopad neste jornal (residindo a caricatura não nas personalidades, aqui e noutros casos, mas nas relações literárias e modos académicos que em torno delas se vão entretecendo), e que será aceite com classificação elevada, e de Miguel de Vide, que apresenta uma tese sobre Álvaro Feijó, liminarmente reprovada, por ser caucionada por entidades contra-corrente. Esta reprovação levará ao suicídio da personagem, o que levanta uma dimensão séria para onde o romance muitas vezes aponta, e por vezes mesmo aprofunda: a do sentido da criação literária e da razão do ensino, a da justificação da vida e do acesso ao sagrado, como se verifica nesse layer pungente que é o do testamento de Miguel de Vide.
Sendo uma sátira à universidade, não o é menos ao jornalismo literário e cultural, em que o próprio JL aparece com um papel determinante (que na caricatura do texto é o «Jornal de Letras Leves»), mas também os mais conhecidos suplementos literários, com críticas consideradas como pouco informadas, inconsistentes e reduzindo-se a impressões gerais colhidas em conversas, press-release ou Internet. Crítica aberta ainda aos editores, às universidades privadas, aos cursos absurdos, à teoria literária sem tom nem som, onde sobressaem os arautos de um pós-modernismo sacrossanto, em referência constante. Inclui ainda uma saborosa crítica da literatura light, mas também de uma certa literatura de elite e pretensiosismo, cruzadas na personagem da escritora Magda Vimioso, avençada pelo estado com uma bolsa de criação literária, cujos textos o romance reproduz. É possível reconhecer facetas de algumas personalidades em evidência no ambiente português, como esse expoente da citação que é Eugénio Porto, ou uma Directora-Geral do Ensino Superior que primava pela ignorância, ou a estudiosa aposentada, Professora Sandra Bataille, especialista em Saramago e Lobo Antunes, da qual se diz no livro que «agora já não sabe de qual é que gosta mais», e que em certos layers é mencionada com o nome em que provavelmente alguns leitores estarão a pensar. A actualidade recente passa assim pela intriga romanesca, desde referências a um mediático plágio de artigos da revista The New Yorker até à publicação da antologia Século de Ouro com as sequelas que suscitou.
As diferentes camadas narrativas do romance, muito modernaço mas reclamando-se do antepassado Tristram Shandy (e onde paira também a sombra de Garrett), apresentam registos tão diversos como grafismos, fotografias, emails, blogs, websites, artigos de jornal, entrevistas e até um «dicionário» das suas personagens, encomendado a um muito pouco conhecido ex-docente da Universidade Democrática da Madeira, que, diz-se no livro e parece ser verdade, durante três anos ali sofreu tratos de polé. Mas o seu espaço de eleição é um centro comercial, o Dolce Vita de Miraflores, onde muitas vezes as personagens se encontram e reúnem, onde são tomadas muitas decisões académicas e urdidas algumas intrigas, inclusive as da maneira de escrever o romance, em supino e ainda divertido apelo à metaficção.
Um dos layers mais interessantes é o das intervenções do autor-real que vai interrompendo o fio narrativo para dar conta das dificuldades e angústias do processo criativo em que se empenhou. Neste layer inclui-se uma entrevista fictícia com o autor após a publicação da obra, discussões entre o autor-real e as suas personagens, cujo culminar é o roubo do manuscrito pela personagem Augusto Chagas que, ultrapassando o seu criador, o publica com o seu nome e forja um artigo de uma conhecida colaboradora do JL, que o romance transcreve. A intriga termina num colóquio na Universidade de Cambridge (que de facto teve lugar há uns meses) onde se parodia a representação portuguesa, não só pela forma como se comporta e pelo pouco interesse que manifesta nos eventos, como também pelas opiniões abstrusas que vai manifestando nos diálogos que mantém com os outros participantes; a universidade inglesa e o mundo da literatura anglo-saxónica não deixam também de ser parodiados em muitas das suas idiossincrasias, nesta parte final do livro, sendo ainda de notar as breves descrições da cidade de Cambridge e do evento, a que não é alheio o deslumbramento provinciano do autor-real e do seu alter-ego narrativo. Augusto Chagas, cada vez mais convencido da inutilidade da probidade científica e cada vez mais afastado do seu progenitor, fecha o romance aproveitando o colóquio para fazer mais um significativo roubo literário.
Esteticamente paródico, este romance diverte mas deixa amargos de boca em quem se interesse pelo ensino da literatura, a partir do símbolo que introduz. Com efeito, o professor sentado é o professor institucionalizado, o professor que atingiu a consagração e se instala confortavelmente na sua cátedra. Mas é também, e às vezes desde o início da carreira e sem cátedra nenhuma, o docente atingido pela impreparação, pelo cansaço ou pela impotência, que abandona a aposta de um ensino dinâmico e renovador. E é sobre tudo isto que Carlos Ceia nos leva a reflectir, de forma jocosa e bem-humorada, com manifesto engenho e capacidade inventiva.

António Bettencourt

Citando de memória (que anda fraca)!
"Não peças aos Deuses que satisfaçam os teus desejos, pois se eles tos concederem, poder-te-ás arrepender amargamente!"
(de um autor que a minha memória não se quer recordar)
"O Homem é o único animal que monta a armadilha, põe-lhe o isco e depois cai nela!"
(John Steinbeck)

ÚLTIMA HORA: DESDE AS 6 DA MANHÃ DE HOJE QUE A NOSSA ENVIADA ESPECIAL, KATIA REBARBADO D'ABREU, ESTÁ NA ALDEIA DA LUZ. REVELAÇÕES EXPLOSIVAS!...


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

A SÉRIO ???


A SÉRIO ??? MAS A SÉRIO MESMO???


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas





Não têm pão???.. Tomem LSD!...


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

É a Economia, Estúpido!

História do Consumo Energético

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Posso suportar a solidão forçada, a ausência de conversação e de contacto humano, mas anseio regressar ao ar livre e voltar a sentir a luz, e passo os meus dias consumido pelo desejo de poder olhar para outra coisa que não estas agrestes paredes de pedra (...). O que é realmente importante é que não me iluda, é que resista à tentação da esperança. Quando finalmente me encostarem ao muro e me apontarem as espingardas, pedir-lhes-ei apenas uma coisa: que me retirem a venda. Não que sinta o menos interesse em ver os homens que vão matar-me. Não, o que eu quero é poder voltar a olhar para o céu. Neste momento, é esse o meu único desejo. Estar ao ar livre e erguer os olhos para o imenso céu azul por cima de mim, contemplar, uma última vez, o uivante infinito.

Paul Auster, Viagens no Scriptorium

A Liberdade é uma coisa tão linda!

Talvez a propósito do post Happy Birthday, Mister PRESIDENT

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas







Sobre o acordo ortográfico com a CPLP

Chegar a um acordo, para mim, sempre foi algo como chegar a um consenso em que duas ou mais partes se sentam e conversam, no sentido de encontrar uma base que lhes permita encontrar uma solução viável e agradável para todos. Parece-me que, mais coisa menos coisa, esta ideia seja pacífica. Vem a propósito o facto de eu ter andado a passear pelos diversos sites oficiais dos países da CPLP e ter verificado que já não há qualquer homogeneidade nas diversas formas de escrever. Isto é um facto e, assim sendo, não me parece haver argumentos contra. Os portugueses escrevem de uma maneira, os brasileiros de outra, os Angolanos ainda de outra e por aí fora. Não me parece que venha daí mal ao mundo, cada qual deve seguir o seu caminho pois ele, mais ou menos, cruzar-se-á e separar-se-á sempre que assim tiver que ser. Admito, inclusivamente, algumas alterações pontuais, já que não sou fundamentalista e entendo e sei que as línguas, com o português incluído, tendem a evoluir e vão evoluindo. É apenas, pelo menos alguns ligeiramente mais velhos, lembrarem-se dos advérbios de modo para verem que eles perderam, pacificamente, o seu acento; outro tanto é pegarem num livro dos anos 40 ou do princípio do século e verem como as coisas mudaram…
Não lhe chamem é acordo, nem queiram aceitá-lo, alterando nós aquilo que não faz sentido alterar apenas por se pensar que isso vai trazer ao país ou à língua qualquer mais valia, pelo contrário, faça-se uma análise sábia e ponderada sobre o assunto e se houver coisas a mudar então que se mudem, não podemos é ir atrás da vontade de todos, porque essa unanimidade já não existe, nem pode existir nunca, desde logo porque as realidades e os povos são diferentes, bem como a sua relação com a língua.

Pelo fogo! Ao que chegámos!

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades 

Portugal imolado


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades 

Um dos assuntos que surge recorrentemente nos media, é o famigerado problema da corrupção, esse Adamastor dos nossos tempos, monstro voraz que impede o desenvolvimento da sociedade em direcção a um imaginário futuro onde o progresso é lei.


O futebol, os partidos políticos, as empresas, a finança e os pequenos e grandes traficantes, são aos olhos do cidadão apontados como os fautores do atraso, amoralidade e fracasso do regime na construção de um modelo a seguir por outrem. Protesta-se contra a ausência de um espírito cívico que deveria ser intrínseco à própria condição de súbditos livres de um Estado de direito. Não me repugna a palavra e o conceito per se de súbdito. É o que fomos, somos e seremos. A cidadania não é desconforme a submissão de um conjunto nacional ao império de uma Lei e uma Bandeira que definem a sua existência na forma de Estado independente.

No seu afã masoquista, a imprensa - curiosamente dependente dos interesses económicos -, acusa, distorce factos, acicata velhos e conhecidos ódios, suscita inesperadas invejas e articula saborosos ajustes de contas. Cinco séculos de cultura de delação, medo, indexação de livros e proibições achadas ao acaso do mero preconceito, encontram terreno fértil num país em endémica crise económica. A corrupção existe, é visível na aparência e suspeita-se. A inveja faz o resto.

Hoje é um dia triste para Portugal. A imolação pelo fogo de um homem, proprietário de um restaurante na Costa de Caparica, é a demonstração plena do desespero calado e sofrido por tantos que organizando os seus pequenos negócios, foram atingidos pela carestia, rarefacção de clientela ou atraso no pagamento de dívidas ao fisco, muitas vezes por total incapacidade económica para o cumprimento das obrigações legais. Transformado numa pira viva dentro do seu local de trabalho, aquele homem é um preocupante e evidente sinal do despotismo da actuação de certa autoridade, cega e surda perante a realidade quotidiana de quem tem parcos recursos económicos.

A Itália, a pátria universal da corrupção, continua a cantar, a beber chianti, a fabricar automóveis e roupas de luxo, enquanto a economia paralela representa uma parte substancial do seu sucesso. Habituados a esta evidência, os europeus encolhem os ombros e encaram os transalpinos como uns adoráveis foliões, onde o bom gosto e a habilidade são tão imagem de marca como a Ferrari, D&G, Versace ou Alfa Romeo. A Itália deve, mas não teme. Portugal, devendo, teme sem razão. Temendo, obriga os seus súbditos-cidadãos a imolar-se pelo fogo. Uma vez mais, após as fogueiras se terem apagado há quase trezentos anos. Estamos todos de luto.

uma catástophre nunca vem só





Happy Birthday, Mister PRESIDENT

Se a Marilyn Monroe estivesse entre os vivos (e está!) cantaria os parabéns em Porrtxuguêiz, segundo o novo acordo pornográphico, assim:

Párábeins àh vócê,
Néista dáta quiridã!
Muintas Félicidadjis!
Muintos Anûs dji Vida!
:-D

Hõji é djia dji Phesta!
Cantam áis nossas áumas!
Pró minino Árrebenta,
Uma sáuva dji páumas!






Postagem 100


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

From "System Failure"

O Cenário Pornográphico do Novo Accordo Ortográphico

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas
Dedicado a todos os que escrevem e lêem o nosso espaço
No Princípio, era o "Animatógrapho", e o "Animatógrapho" se fez "Olympia", e o "Olympia", "Cinebolso", e Deus viu que era bom.
Quando meu amiggo y souber que me appanhou por el tardar e lheu desser que foy por soer muy baratto, e de dia inteiro, e nelle se amontoavam "Amellia de as Marmittas", y m'ailla "Côxa", do Salittre, e "Laura", que não soía ser de Pettrarca, mas mais próçima da "Mikas, a Muñeca de Cêra", e do "Muleta Negra", ay, deus, e os marujos, e o "Ze da Tarada", ay, deus, y u são?...
Ay deus, y os marujos, que Cesariny, y tanto soía chuchar,
ai, deus, y u são?...
"Em outro dia estavom mui gramdes temdas armadas no ressio a çerca daquel moesteiro, em que avia gramdes montes de pam cozido e assaz de tinas cheas de vinho, e fora estavom ao fogo vacas emteiras em espetos a assar", pelo que sorte foy que nom ouvessem gentes da ASAE que per ali passassem, senão fechava a "Gingiña" e outros luggares. Sorte deles, pois com suas marmitas, por ali se contava o "caso de um filho da Duqueza de Bejar, soffrendo desde creança de "deliquios" e "syncopes", e merevilhosamente curado com a pedra bezoar [...] que eram piquenas, pouco maiores que um caroço de tamara", mas, bem chuchadas em um vaam de escada, dela se tiravam milagres, como soía ser voz corrente entre homens cazados.
Dzia Dona Bocarra Guimarães, cuja boda branca se foi soer ser pela Unesco, depois de lhe deixar prenha de um rebento, que se fazem grandes línguas com grandes escritos. "Confesso os cómodos desta profissão, mas não ignoro os incómodos, que, quando outros não tivesse, senão aquele mau costume de ler sempre por ruim letra, não era pensão fácil", pois não, sobretudo em épocha em que até em pharmácias e para-pharmácias e hypermerccados se vendêrem merdunças como o "Rio das Flôres" e as Crónicas do teu Cabaço, sempre largo com um inchaço, tudo isto para dizer, que Língua, a ser feita sempre de Outroras, nunca tinha saído da nora antiga, cepa torta e coisa pouca, e agora muito mais queirósiana, meus amigos, desde Saussure que o que a mão escreve não condiz com o visto pelo olhado, nem a massa sonora se faz sentido da forma estreita com que o Tempo grafa o que é para ser grafado. É o milagre da Fé, e, ou a Língua se faz, e escreve, por quem a fala, ou logo encrenca num qualquer atoleiro de sinal de rua única sem sentido, e que seria de nós, se a Língua subitamente perdesse o sentido?...
É tudo um hábito, como Pavlov diria, e até os psiquistas das coisas do quotidiano dizem que um sorriso de mãe, quando visto pela criança deitada, é indiferente de vir de cima, ou de baixo, direito, ou inverso, lê-lhe aquela alma, dos sentimentos, sempre como o sorriso maternal, e essa é a essência, mesmo, do que é essencial.
Vem agora a parte dura: o Nobéle Português, que Deus Nosso Senhor finalmente parece estar em vias de levar para junto de si, deo gratias, nada fez pela Língua, excepto fazê-la regredir aos tempos do Senhor Dom Francisco Manoel de Mello, e quem fala desse cabaço fala de outros quejandos -- hoje, estou todo frenicoques e regionalismos... -- as Lídias Jorges (muito tens de praticar, pá, és muito fraquinha...), os Mários Cláudios, que mandam tudo para Lisboa, para corrigir os erros, e os malfadados regionalismos, a sinistra Agustina, que o Mário Viegas, já na fase de bater a bota (bóta/bôta/botta) bem descreveu, e passo a citar: "A Agustina já era fascista antes de haver Fascismo!..." (aí, fadista, também já lá estás...), e não são os indefensáveis pergaminhos de 10 000 000 de desgraçados, na sua maior parte incultos, novo-oportunizados, ou oportunistas, como queiram, que vão construir uma Língua, assente em três vernáculos e quatro palavrões, quando não mete um fático "bué" entre o "caralho" e o "foda-se" -- o "camano" está um pouco fora de moda, mas sempre lá se encontra um taxista que o pronuncia, com o acento do assento do banco de trás.
Se não houver talentos à altura de escrever a Língua, e de fixar qualquer grafia que seja, a todos os pares seus entendedores, bem podem os Velhos e os Novos do Restelo ladrar contra os Milhões da Terra de Vera Cruz, também chamada Brasil.
Do lado de cá, os grandes intelectuais e defensores da coisa pública, os grossistas da Língua e do Direito de Autor capitularam incondicionalmente: o monstro chama-se "Editora Leya" (repare no "y"...) feita de Asa, Caminho, D. Quixote, Gailivro, Novagaia e Texto, a chancela angolana Nzila e a editora moçambicana Nadjira, feita de grandes militantes do internacionalismo e da fronteira nacional, gente séria, chamada, por exemplo, António Lobo Antunes, José Saramago, Eduardo Agualusa, Mário Cláudio, Manuel Alegre, Lídia Jorge, Mia Couto, Alice Vieira ou Rosa Lobato Faria, entre outros. O golpe foi elementar: rasgar contratos originais, e assinar novos, com a LETRA Y -- nem Bilderberg faria melhor... Ah, sim, e a genial cabeça disto tudo é Paes do Amaral, que logo nos remete, para quem não percebeu, para o meu enigmático início de texto...
O fim ainda é "mais mau": A Sinistra Ministra e os Lindos Olhos de Mariano Gago breve vos trarão as outras razões escatológicas destas urgências: continuem a ler Saramagos, Vascos Graças-Mouras e Tolinhos Tolentinos, do meio tostão, que a resposta já está dada, e firmada, o Accordo Ortográphico é tão só a auto-estrada pela qual os Professores de todos os Ciclos, do Canto-Chão, até ao Universitário, virão, do Outro Lado do Oceano, ocupar, com avidez, quando se rebelarem, contra salários e condições de trabalho, os vossos belos postos de trabalho, e o sotaque, meu deus, até o sotaque, pois então, pois nesta época de coxos, mancos e canejos, só o cifrão do € não sofreu alteração, pois não, como diria o outro, para rimar, pois não, com certeza que não...
( Edição simultânea, em forma de quatro pés de suporte de caixão, no "A Sinistra Ministra", "Democracia em Portugal", "KLANDESTINO" e "The Braganza Mothers" )

Morreu o pai do "LSD", aos 102 (!) anos, onde se prova que se tivesse sido vegetariano já estaria morto há muito...


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Leia AQUI

quinta-feira, 1 de maio de 2008


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

O Sr. Sócrates, que governa (?) Portugal, e que tanto telefonou para as televisões a denunciar "não-notícias", sobre ele, que tal ter evitado esta?...


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Leia no "Público"

À medida que se aproxima o aniversário do Dia Negro, Maddie já vale 18 entrevistas bem pagas (!)


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Leia AQUI

Limites da Liberdade e da Igualdade


Já que “gostam” tanto do Paulo Teixeira Pinto e do Opus Dei, e até há quem pense que eu ando ao serviço deles, coisa que eu só faria se fosse o maior masoquista da História da Humanidade, vamos a um pequeno exemplo ilustrativo sobre questões de Igualdade.
Imaginemos que o Paulo Teixeira Pinto tem uma família numerosa, daquelas cuja apologia o Opus Dei tanto faz. Bem, o Paulo Teixeira Pinto tem 10 filhos, mas eles encontram-se em diferentes estádios de Desenvolvimento Humano: o filho mais velho é aluno universitário; depois seguem-se 2 filhos a estudar no 3º Ciclo do Ensino Básico; finalmente, os restantes 7 filhos, estudam no 1º Ciclo do Ensino Básico.
Ora, o Paulo Teixeira Pinto, como "bom" patriarca que é, decidiu pagar aos seus filhos uma mesada correspondente ao nível de Desenvolvimento Humano em que cada um se encontra, tendo em conta as necessidades e as exigências sociais, económicas e culturais que cada patamar exige. Assim, o estudante universitário, que já possui um elevado grau de autonomia na gestão do seu tempo e das suas actividades, além de ter elevados padrões de necessidades a satisfazer (livros e material académico, transportes, alimentação, vestuário, concertos, teatro, cinema, discos, encontro sociais, etc.), recebe uma mesada de 500 €. Os 2 filhos que estudam no 3º CEB, possuem uma autonomia reduzida quanto à gestão do seu tempo e das suas actividades e têm padrões de consumo significativamente menos exigentes (podem ir ao cinema uma vez por semana, podem comprar alguns livros, discos, jogos para o computador, mas não muito mais que isto), pelo que a sua mesada é de 100 €. Finalmente, os 7 filhos que estudam no 1º CEB, recebem uma mesada de 10 €, para umas pastilhas elásticas ou para uns cromos. O patriarca Paulo Teixeira Pinto tem, portanto, um orçamento para mesadas no valor de 770 € (1 X 500 € + 2 X 100 € + 7 X 10 €).
Ora, sucede que os filhos mais novos, começaram a frequentar a catequese e ouviram falar que um tipo chamado Jesus Cristo pregou qualquer coisa parecida com igualdade e fraternidade. Vai daí, decidem convocar uma assembleia geral para exigir igualdade quanto ao valor das mesadas, que isto de uns a ter muito e outros a ter quase nada é uma vergonha. E o patriarca, compreendendo que o valor da igualdade é um valor supremo, virou-se para a assembleia de filhotes e disse: “Ok! Eu vou promover a igualdade. A partir de agora, cada um de vocês passa a receber 77€.”
Mal tinha proferido estas palavras, os gritos de júbilo dos 7 infantes depressa se fizeram ouvir. Mas logo de seguida foram abafados pelo clamor indignado dos 3 mais velhos, em especial do filho em avançado estado de Desenvolvimento Humano. Diziam eles: “Não senhor! Mas que história é esta? Não estamos contra o princípio da igualdade, mas não podemos permitir que toquem nos nossos direitos dessa forma. É uma injustiça!”.
E o patriarca, cheio de bondade, fez novamente as contas, e, em nome da igualdade, passou a dar a cada um dos seus filhos, uma mesada de 500 €, passando, assim, a ter um orçamento mensal de 5 mil Euros!
Bem, é óbvio que o exemplo é um tanto ou quanto absurdo mas serve para ilustrar o problema da igualdade. Quando dizemos que queremos um mundo mais igualitário, queremos estabelecer a igualdade em que patamar? Pode parecer que a questão não faz sentido, mas pode ter a certeza que faz muito sentido quando estamos a falar de milhares de milhões de seres humanos. E não se esqueça de um pequeno pormenor: neste exemplo, é você quem veste a pele do filho universitário.
Para melhor ilustrar o problema, vamos tomar como referência o nível médio de vida (rendimentos e níveis de consumo) de duas regiões do planeta (EUA e Europa). Os EUA têm, como todos sabemos, um dos níveis mais elevados de rendimento e de qualidade de vida. Em termos médios, podemos considerar que os patamares existenciais usufruídos pelos Estado-Unidenses são bastante bons. Aposto, aliás, que você não se importava nada de aceder aos níveis de rendimento médio dos EUA, assim como aos níveis médios de vida (consumo) aí existentes. De certeza que você deseja ter níveis de rendimento mais elevados e de certeza que não é para enfiar notas de 500 € debaixo do colchão. Os EUA têm aproximadamente 300 milhões de habitantes, o que corresponde a cerca de 4.6% da população mundial. No entanto, a população dos EUA é responsável pelo consumo de 25% do petróleo produzido anualmente em todo o planeta. Ora bem, se você acha mesmo que o princípio da igualdade deve ser implementado, custe o que custar, vamos fazer de conta que, com uma varinha mágica, conseguimos pôr os restantes 6.2 mil milhões de alminhas do planeta a viver exactamente com o nível médio de rendimento dos EUA, e, já que os rendimentos existem para garantir patamares de qualidade de vida, que toda essa gente passa a consumir recursos exactamente como faz hoje o norte-americano médio.
Ou seja, faça as contas, se 4.6% da população mundial consomem presentemente 25% da produção petrolífera (e eu nem sequer estou a falar da produção de electricidade, de gás natural, de carvão, de aço, de alimentos, de vestuário, etc.), teríamos, em nome da Santa Igualdade, de multiplicar por 5.5 a actual produção de petróleo, de forma a garantir a todos os habitantes do planeta os mesmos patamares de consumo dos norte-americanos. Ora, tendo em conta que os peritos nos dizem que já só nos resta petróleo para mais umas 3 ou 4 décadas, se os consumos se mantiverem mais ou menos estáveis, já viu o que sucederia às reservas de petróleo, se tivéssemos de produzir 5.5 vezes mais?
Esgotava-se o petróleo em menos de uma década. E isto, sem considerar os problemas técnicos e logísticos para extrair petróleo a um ritmo e em quantidades 5.5 vezes superior ao actual. Objectivo, aliás, perfeitamente absurdo já que nos encontramos perto dos limites de produção. Mas, se igualássemos o consumo à escala mundial, pelos padrões de vida dos EUA, o petróleo esgotar-se-ia num abrir e fechar de olhos. E depois? O que importa é a igualdade, não é? Afinal de contas, você é como o filho universitário do Paulo Teixeira Pinto: igualdade sim, mas não à custa da satisfação dos seus níveis de vida, por isso, toca a aumentar os níveis de rendimento de toda a gente, o que quer dizer aumentar os níveis de consumo de matérias-primas (com os recursos energéticos à cabeça) e o planeta que aguente. Mas você não se interroga sobre as consequências de semelhante elevação dos padrões de consumo, pois não? O que importa é a Igualdade. Mas, quando se esgotar o petróleo, você julga que o seu nível de vida será garantido por que recursos energéticos? Pelo gás natural (cujas reservas têm uma longevidade de algumas décadas para além da depleção do petróleo)? Pelo carvão, esse grande poluente (cujas reservas têm uma longevidade de algumas décadas para além da depleção do gás natural)? Não me diga que está a contar com as energias alternativas, os biocombustíveis, a energia eólica, a energia geotérmica, a energia nuclear, a energia solar, o hidrogénio, os betumes e o petróleo pesado, a biomassa, a energia das marés, a tão desejada (e como eu a desejo!) fusão nuclear? Tudo indica que a Fusão Nuclear só poderá atingir a fronteira da viabilidade económica lá para o fim do século XXI. E os especialistas não garantem, sequer, alcançá-la. Pode muito bem ser tecnologicamente impossível ao Homem alcançar esse desiderato. E, se assim for, dificilmente o conjunto das restantes fontes energéticas poderá garantir os elevados padrões de consumo para um volume demográfico que terá ultrapassado os 9 mil milhões de habitantes.
Recordo-me muito bem, aqui há uns anos atrás, quando andava pelos fóruns do Expresso Online, coloquei este dilema sobre a igualdade a um comentador comunista. E também recordo como ele emudeceu e não deu resposta à questão colocada. Enquanto a conversa se move em torno dos direitos e dos valores, aparecem a gritar todos os slogans, a repetir todas as cassetes, a proclamar todas as ideologias. Quando confrontados com exemplos que fazem pensar, que nos colocam perante dilemas de difícil resolução, metem o rabinho entre as pernas e desaparecem. E não julguem que eu estou a culpar a Esquerda. Acho que já deixei bem claro que há responsabilidades a distribuir à Direita e à Esquerda. Uns porque acham que é possível usurpar os recursos do planeta como se estes fossem inesgotáveis e outros porque continuam a exigir e a prometer tudo a todos. Para uns é indiferente que recursos energéticos fósseis sejam finitos e altamente poluentes e para outros é indiferente que o planeta seja habitado por 100 milhões ou por 100 mil milhões. Tanto faz! O que importa é gerar riqueza e consumir riqueza. As consequências que fiquem para as gerações futuras. E podem crer que as gerações futuras irão olhar para nós com muito mais ódio, desprezo e horror do que o olhar que nós temos de muitas épocas do passado. E razões não lhes irão faltar!
Você pode responder-me dizendo que os padrões de consumo dos EUA não são exemplo para ninguém, que há por lá muito desperdício, muito esbanjamento, baixos níveis de eficiência energética, e que é perfeitamente possível manter níveis elevados de vida, sem desperdiçar como fazem os EUA. Tem toda a razão! Assim, podemos recolocar o problema tendo como exemplo a Europa e não os EUA. A Europa (não confundir com a União Europeia) tem cerca de 730 milhões de habitantes, isto é cerca de 11.2% da população mundial, e consome cerca de 20% da produção petrolífera mundial. Podemos achar que os referenciais médios de qualidade de vida da Europa são bastante aceitáveis e, como tal, podemos, novamente através de um golpe de varinha mágica, pôr todos os habitantes do planeta a consumir petróleo pelo mesmo padrão dos europeus. Mesmo assim, quase que teríamos de duplicar a produção petrolífera anual e, entretanto, as reservas passariam a ter um horizonte de vida de apenas 20 anos.
Mas, muito para além das consequências decorrentes deste tipo de passes de mágica, devemos ter em conta que, quando consumimos petróleo, estamos a emitir para a atmosfera milhões e milhões de toneladas de Dióxido de Carbono (CO2). Ora, o problema de milhares de milhões de pessoas acederem a níveis de qualidade de vida que lhes garantam estes consumos, passa também pelas consequências ambientais. Os efeitos do Aquecimento Global são cada vez mais evidentes e isto tendo em conta que foram os países industrializados os principais responsáveis pelas emissões de CO2 (já para não falar nos restantes gases de efeito de estufa) durante este último século. Por isso, se não quer ser irresponsável, pense nas consequências para a saúde do planeta quando 4 ou 5 mil milhões de pessoas puderem passear de carro de um lado para o outro.
O grande problema relacionado com o esgotamento do petróleo convencional diz respeito ao facto de toda a nossa economia, toda a nossa produção, todos os bens e serviços a que acedemos, se basear na existência dessa fonte energética. O petróleo é uma fonte energética muito barata, mesmo muito barata. Não foi por acaso que as Economias e as tecnologias se viraram massivamente para essa fonte energética, esquecendo ou relegando o carvão para segundas opções. O carvão, para além de não ser tão eficiente, tão rentável e tão barato, é altamente poluidor, quando comparado com o petróleo. Repare bem que você, hoje em dia, reclama por causa do preço do petróleo, mas tenha em conta que esse preço incorpora, para além de todos os (imensos) custos de prospecção, todos os (imensos) custos de extracção (campos e plataformas petrolíferas, oleodutos, recursos humanos, petroleiros, etc.), todos os (imensos) custos de refinação, transporte e comercialização, os elevados impostos e taxas que o Estado Português ainda cobra. Já reparou como o petróleo é, de facto, um produto altamente barato? Foi o baixo custo de produção que, ao longo do século XX, permitiu que ele alimentasse e garantisse crescimentos económicos e o aumento dos níveis de vida a centenas de milhões de seres humanos, principalmente no mundo industrializado.
Sabe que a produção de petróleo convencional tem um elevado índice de rentabilidade? Por cada unidade de energia imputada ao processo de produção de petróleo convencional, são obtidas 30 unidades de energia. Fantástico, não é? Por isso é que ele foi tão barato ao longo do século XX e propiciou os níveis de desenvolvimento que propiciou. E sabe qual é a rentabilidade dos petróleos pesados? Por cada unidade de energia imputada ao processo de produção de petróleo não convencional, obtém-se o EXTRAORDINÁRIO retorno de 1.5 unidades de energia. Fantástico, não é? Já começou a perceber a alhada em que nos encontramos metidos? Continua a acreditar que vamos ter pão, leite e mel para todos, quer sejamos mil milhões, quer sejamos 10 mil milhões? O petróleo pesado é muito, mas mesmo muito menos rentável do que o petróleo convencional. A sua produção exige investimentos monstruosos, cujas margens de retorno vão estar sempre no fio da navalha. Um deslize, um pequeno acidente, um Inverno mais rigoroso no local de extracção (uma parte muito significativa dos petróleos pesados encontra-se no Canadá), e todo o investimento pode vir por água abaixo. Além de que o próprio processo de produção vai ser um voraz consumidor de energia. Até pode suceder que, com algum azar, que não é de todo improvável, que andemos a produzir petróleo, imputando ao processo de produção, uma quantidade de energia superior àquela que obtemos no fim.
Veja se percebe de uma vez: nada do que você tem à mão pode existir sem incorporação de doses significativas de energia. Energia para extrair as matérias-primas, para as transportar, para as processar e transformar em mercadorias, para as voltar a transportar e transformar em produtos finais, e novamente para as voltar a transportar e comercializar. Até quando você se dirige ao local de compra, despende energia para a adquirir. E já reparou na quantidade impressionante de coisas que você consome, dos alimentos ao vestuário, dos combustíveis ao mobiliário, dos livros aos electrodomésticos ou dos meios de transporte (pessoais ou colectivos) aos computadores, que viajaram milhares de quilómetros para chegar até si? Quando se esgotarem recursos energéticos importantíssimos, como o petróleo convencional, acha que a sua economia local vai conseguir responder a todas as suas necessidades? Muito especialmente se você viver numa grande metrópole?
Tenha em conta o seguinte: mesmo que a Economia Global consiga encontrar alternativas, não será nada fácil, nem tranquila, a transição de uma Economia baseada no petróleo para uma Economia baseada, por exemplo, no hidrogénio. Já pensou em todos os milhões de pessoas que trabalham na prospecção, produção e comercialização do petróleo e dos produtos petrolíferos? Já pensou nos milhões de veículos automóveis que poderão tornar-se obsoletos ou, na melhor das hipóteses, a carecer de reconversões tecnológicas significativas? Já imaginou a quantidade de lixo, resíduos e poluição decorrente do fim da Economia do Petróleo?
Uma vez mais, pense nos problemas à escala global e, se possível, abandone os paradigmas ideológicos que o impedem de ver a realidade. Tire de cima de si aqueles óculos que fazem com que tudo à sua volta seja azul, verde ou vermelho. Veja se percebe que temos cometido erros crassos, excessos imperdoáveis e que podemos estar à beira do precipício. Já faltou mais para o abismo. Por isso, para a próxima vez que ouvir um político de Direita exigir mais crescimento económico ou um político de Esquerda exigir maior distribuição da riqueza, pense seriamente nas consequências.

Macao já sabe que estamos de novo no ar: The Braganza Mothers em mandarim


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Os pombos são ratos com asas


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas



Josef Fritzl - o "Mostro"

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas



Este não fez com os pais da Maddie, penso que este senhor Josef Fritzl dizia: “A carne que eu faço é para eu comer…”



Queriam incestos no "The Braganza Mothers" e cá esta… Ele até era considerado boa pessoa, lá por ter fechado a filhota numa cave e a ter comido, os Médias são mesmo maus – apelidaram o senhor Josef Fritzl de MOSTRO. Como é possível?

Ao menos o Josef Fritzl confessou os seus crimes, há uns que ainda fogem e cada dia que passa, mamam mais dinheiro… Quem será? Os pais da Maddie?! Onde?! Como?! Não pode ser…


Cá está em português:

Voto não é LIXO!

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas




Bem que este jornalista Luciano Pires podia fazer a versão portuguesa deste vídeo, pouco ou nada se iria alterar.

Já agora a título de curiosidade este jornalista quer fazer com que o Brasil deixe de ser burro e não vote como se o voto nada valesse. Por isso em 2009 NÃO VOTE NO SÓCRATES!

Veja-se o seu sítio na Internet.

O Papa português

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

"'Nova Águia' retoma a ideia de Pátria e repensa Portugal a partir da lusofonia"



Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas



Foi com muito agrado que comecei a ler a notícia do DN que dizia estar de volta ‘a Nova Águia’, tanto mais que concordo em absoluto com o que comecei a ler: “Uma nação "não pode reduzir-se aos entusiasmos fugazes da expectativa de proezas futebolísticas. Há que refundar Portugal", lê-se no manifesto da revista Nova Águia, que chega às livrarias no dia 19.” Bem, depois continuei a ler e as minhas desconfianças foram-se avolumando… Até obter a certeza de que, ao invés de estarem a retomar o espírito e pluralidade da antiga A Águia, estavam apenas a conspurcar-lhe o nome ou, o que para mim vai dar ao mesmo, a servirem-se dele para fins comerciais. Reparem só no conjunto de colaboradores da genuína revista e comparem com os da actual, sendo que na primeira eram autores e pensadores desconhecidos, assim capazes de trazer novidade, e nesta são as trutas do costume, em mais um espasmo habitual, certamente muito bem patrocinado… O ridículo da coisa só ainda vai mais longe com a sua periodicidade… Semestral??? Vejam que a original era quinzenal e saibam que, por vezes, os seus colaboradores tinham de andar a arranjar dinheiro entre eles para a publicarem… Como é que tão ilustres senhores querem agora intervir culturalmente no país ou alterar o que quer que seja fazendo-o semestralmente, numa época em que a velocidade e quantidade de informação são alucinantes? Bato-lhes hoje uma palma… daqui a seis meses talvez bata outra e assim sucessivamente… Agora esqueçam é a ideia de se julgarem continuadores da Renascença Portuguesa, pois o seu espírito era o de fazer para ontem e intervir dinamicamente na sociedade, algo que não me parece que sejam capazes, sequer, de tentar esboçar. Tomem antes um chazinho…

Comemorações do 1º de Maio, em Hamburgo


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas


AQUI

A Fome no País da Miséria

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Sentimentos de culpa vs. Ignorância

Anónimo disse: "O que é estranho neste texto, para além da obcessão malthusiana, é que ele podia perfeitamente ter sido escrito por Paulo Teixeira Pinto. Estará o Paulo Pedroso por acaso ao serviço de algum maquiavelismo social-darwinista? Esquece que nunca houve na Terra tantos paraísos naturais e ecológicos sob estreitíssima protecção nacional e internacional? Porque omite os progessos realizados nas últimas décadas ao nível da "engenharia climática"? Porque razão me hei-de sentir terrivelmente culpado de existir ao ler aos seus textos?"
(1 de Maio de 2008 02:13)
_______________________________

Caro Anónimo,

Não sei porque razão acha que este texto poderia ter sido escrito por Paulo Teixeira Pinto. O que não deixa de ser estranho, isso sim, é essa acusação. Porque, ao fazê-la, você só está a redireccionar o incómodo que o meu texto lhe causa para alguém que representa certos grupos , certas classes e certas visões do mundo. No fundo, você continua a apontar o dedo e a ver a realidade metida em lógicas maniqueístas.

Pois olhe, não só não estou ao serviço de nenhum objectivo maquiavelista social-darwinista, e, desculpe que lhe diga, é ridículo pensar nesses termos, como estou, tão só a alertar as pessoas para os riscos que a sociedade moderna corre, como resultado dos excessos que nos temos permitido (excessos de liberdade de acção, que têm conduzido o planeta ao limite, excessos de igualdade económica, que têm levado o consumo a níveis estratosféricos, excessos de reprodução humana, que vão conduzir o planeta a tensões sociais, económicas, políticas, culturais e civilizacionais gravíssimas).

Era melhor ficar descansadinho e não dizer nada, não era? Continuar, como se nada se estivesse a passar. Além do mais, muito do que eu estou a dizer, já foi dito por autores consagrados e investigadores prestigiados.

A questão central deste novo discurso malthusiano não reside na possível falta de alimentos para uma população crescentemente voraz e exigente. Esse também é um problema importantíssimo e vai-nos causar muitas dores de cabeça nas próximas décadas. Mas, se quer saber, o grande problema que teremos de enfrentar e cujas consequências serão gravíssimas, tem a ver com o esgotamento do petróleo convencional.

Aconselho-o vivamente a ler apenas 4 livros:
- Uma verdade inconveniente (Al Gore)
- O Fim do Petróleo (James Howard Kunstler)
- Os Limites do Crescimento (Dennis Meadows)
- Seis Graus ( Mark Lynas)

Presumo que nenhum dos referidos autores partilha os valores e os princípios de Paulo Teixeira Pinto. Meter neste tipo de conversa a referência a esse senhor é apenas mais um sinal de que temos de nos preocupar a sério, tal é a mirabolante lógica que preside ao raciocínio humano dos nossos dias. Formatos há muitos!

Os imensos paraísos naturais e ecológicos só estão sob protecção porque o Homem arrasa tudo o resto. Se não destruíssemos avassaladoramente os ecossistemas deste planeta não teríamos necessidade de criar santuários. Mas, não me diga que você está à espera de garantir os recursos necessários à sobrevivência humana a partir do que restar nesses santuários? Sabe a que ritmo foi desflorestada a Europa? Sabe que área florestal tinha a Europa há tão só 1 século ou mesmo meio século? E sabe que estamos a destruir florestas tropicais a um ritmo assustador, tudo para satisfazer as nossas necessidades alimentares e providenciar matéria-prima para uma série de coisas como mobiliário ou papel?

Não me diga que, quando atingirmos o limite dos limites, acha que tudo irá correr bem porque nunca existiram tantos santuários ecológicos sob protecção?

E ainda refere os grandes progressos, das últimas décadas, ao nível da "engenharia climática". Mas quais progressos? Por acaso o Homem tem a capacidade mínima de controlar o clima mundial? Estamos, isso sim, a desregulá-lo a uma escala sem precedentes. Ainda não ouviu falar do aquecimento global? Entrou por um ouvido e saiu pelo outro? Ainda acha que está por provar que o aquecimento global é, efectivamente, o resultado da actividade humana? Já é consensual, entre a comunidade científica, que o aquecimento global é o resultado da actividade humana sobre este planeta. O clima, tal como o conhecemos, está em risco de colapsar a qualquer momento, podendo ultrapassar-se o limite a partir do qual deixaremos de reconhecer o clima planetário, devido à instabilidade, à desregulação, ao desequilíbrio e à intensidade de certos fenómenos.

Estiquemos um pouco mais a corda e poderemos ser os responsáveis pela interrupção da designada Corrente do Golfo, no Oceano Atlântico. E, se isso suceder (e olhe que já estivemos muito mais longe desse momento), pode dizer adeus ao clima tal como o conhece. Já imaginou a Inglaterra, a França ou a Espanha com Invernos semelhantes aos dos dos Estados Unidos ou do Canadá? Já imaginou a desertificação crescente, a diminuição dos recursos aquíferos, o derretimento das calotes polares, o aumento significativo dos níveis dos oceanos, o desaparecimento dos glaciares que garantem a sobrevivência a centenas e centenas de milhões de pessoas? E ainda o aumento contínuo das emissões de gases com efeitos de estufa, que provocam um aumento das temperaturas globais, intensificando as pressões humanas sobre os ecossistemas já de si frágeis. E o aumento impressionante de catástrofes naturais, como tornados, tempestades e furacões, que nunca tivemos registo de tantas como as observadas nos últimos anos (não só em quantidade mas, sobretudo, em intensidade e potência)? E agora, repare bem, até Portugal já tem os seus tornaditos!!! E os livros científicos que asseguravam que no Atlântico Sul não ocorriam furacões? Pois, parece que, recentemente, os livros tiveram de ser reescritos.

E tudo isto, devemos ignorá-lo, só para que você, assim como todos os outros consumidores-dependentes deste planeta, não se sintam mal. Vamos, então, continuar a ignorar os sinais e as evidências. Vamos continuar a consumir desenfreadamente e irresponsavelmente. Vamos continuar a assobiar para o lado e a enterrar a cabeça na areia, porque dá uma dor de cabeça terrível só por ter de pensar que, afinal de contas, não podemos continuar a esticar a corda. Vamos todos fingir que nada disto se passa e que está tudo bem.

É claro que poupamos uma dor de cabeça hoje. Mas o Homem vai continuar a querer mais e sempre mais. E, quando for visível aos olhos de todos, que somos demasiados para querer tudo o que está à disposição, nessa altura nem um milhão de toneladas de aspirina chegarão para lhe curar as dores de cabeça.

Por isso, deixe-se estar confortavelmente instalado no seu sofá, e faça o mesmo que muitos fizeram a Churchill: tape os ouvidos, para não se sentir mal, para não ser chamado à responsabilidade, para não ter o trabalho de fazer alguma coisa, para ver se continua a dormir, embalado na maravilhosa canção que é a nossa realidade.

Conhecer e compreender os riscos que temos de enfrentar é apenas o primeiro passo que todos temos de dar. Não é para que se sinta culpado. É para que deixe de ignorar a realidade, para que não diga que desconhece as causas dos problemas ou as consequências da actividade e das opções humanas. Porque só saberemos o que fazer se não formos ignorantes. As soluções só podem surgir quando conhecemos os problemas. Se vivermos na ilusão de que tudo está bem, se preferirmos enterrar a cabeça na areia, seremos apanhados pela mudança e não teremos compreendido nada. E, quando dermos o últimos suspiro, ainda estaremos a apontar o dedo a um qualquer Paulo Teixeira Pinto.

DA CATÁSTROFE E DO MUNDO ACTUAL

"Quando todas as possibilidades de tomar pedagógica a catástrofe tenham sido esgotadas e compreendidas no seu inevitável fracasso, ficam cortados os caminhos a esse reflexo, que faz história, da fuga para a frente. As forças, que produzem a catástrofe e, ao mesmo tempo, se querem pôr a salvo dela, acumulam-se de repente em si próprias. Não é o «salve-se quem puder!», mas o «conhece a situação!», que passa a ser o lema da época. Cria-se, assim, uma situação, em que a consciência pânica poderia transformar-se numa cultura. Antes disso, tudo se fica por um estilo Biedermeier com foguetões. Só o pânico vivido até ao fim liberta das ilusões didácticas; ele é a ponte para uma consciência que, até da catástrofe, já nada mais espera e, sobretudo, nenhumas revelações em matéria de crítica da civilização. A cultura pânica começa onde acaba a mobilização, enquanto fuga permanente para a frente. Por isso, a «história» de uma cultura pânica passar-se-ia num fim crónico da história; nela, os motivos cinéticos, que fizeram história até ao presente, seriam domados por uma cultura explícita, cujo esforço consistiria em impedir a irrupção de novos impulsos que fizessem história, em virtude do seu exacto conhecimento pós-histórico acerca da catástrofe resultante da mobilização histórica. Dessa maneira, uma forma de consciência até aqui esotérica, que na gíria espiritualista se chama iluminação, passaria a ser um assunto público. Numa civilização pânico-extática, populações inteiras praticariam o acto que, anteriormente, apenas era executado por alguns indivíduos isolados: o salto da consciência para o fim dos tempos, no meio do tempo, e a saída do sujeito para fora da causalidade da fuga e da esperança. Assim, a cultura pos-histórica do pânico seria a única alternativa à civilização da mobilização histórica que, mesmo agora, ja não tem historia à sua frente, mas apenas uma contagem decrescente".


Slöterdijk, P. (2002 [1989]). A Mobilização Infinita. Para uma crítica da cinética política. Lisboa: Relógio d'Água, pp. 85-86, (Orig.: Eurotaoismus - Zur Kritik der Politischen Kinetik, Surkamp Verlag Frankfurt am Main, 1989)

DA CATÁSTROFE, DO MUNDO E DO PROBLEMA FUNDAMENTAL INERENTE A AMBOS

De como de uma penada caem por terra todas as teses humanistas das belas almas... Afinal o que menos se conhece, ao contrário do que muito boa gente pensa, é mesmo o homem...
"Com a questão da capacidade de aprendizagem da nossa espécie, toca-se no ponto crítico: a humanidade está a priori incapacitada para aprender, porque não é um sujeito mas um agregado. Quando falamos «da humanidade», formamos um conceito geral, que só como sujeito alegórico pode andar à laia de fantasma por teses especulativas — teses, de que a era das Luzes fez um uso descuidado. Aquilo que, hoje, aparece como crise do universalismo iluminista é, de facto, a transição do estádio das alegorias genéricas humanistas para o de uma ecologia dura de inteligências locais. Essa ecologia só começa depois de se entender plenamente que a humanidade não tem Eu, nem coerência intelectual, nem órgão de vigilância fidedigno, nem retrospectividade capaz de aprendizagem, nem memória comum fundadora de uma identidade".

Slöterdijk, P. (2002 [1989]). A Mobilização Infinita. Para uma crítica da cinética política. Lisboa: Relógio d'Água, p. 80, (Orig.: Eurotaoismus - Zur Kritik der Politischen Kinetik, Surkamp Verlag Frankfurt am Main, 1989)

DA CATÁSTROFE E DO MUNDO ACTUAL

"Quatro breves observações ilustrarão, em seguida, os riscos e limites do pensamento didáctico catastrofista. Somente a partir do fracasso dessa teoria desesperada da aprendizagem se torna plausível que as culturas alternativas apenas venham a ser possíveis como cultura do pânico. Estas observações fomecem comentários a uma interrogação que se encontra na boca de todos os contemporâneos: que é que ainda tem de suceder, antes que aconteça alguma coisa? Aplicada à prática, também se poderia enunciar assim: que ordem de grandeza deveria ter uma catástrofe para que dela irradie o esperado lampejo geral de conhecimento? A partir de que ponto seriam as catástrofes razões evidentes para ideias radicais transformadoras de mentalidades? Até que ponto as coisas têm de ir a pior, antes de poderem melhorar? Têm mesmo de piorar? É válido o suposto nexo entre desgraça e discernimento?
Quão problemática há-de ser uma resposta a estas perguntas, até quão problemáticas são já as próprias perguntas, eis o que se toma patente logo desde a primeira observação. Não há, manifestamente, nenhuma medida quantitativa que possa ser adoptada como grandeza «didácticamente» suficiente da calamidade. As consciências humanas possuem, de múltiplas maneiras, a faculdade de permanecer imunes à evidência catastrófica. Provavelmente, a maioria silenciosa mantém-se sempre fora do possível raio de acção dos grandes desastres. A isso acresce, na Modernidade, que os contemporâneos há muito que suportam outra vez a sua época como um acontecer fatídico, que não é susceptível de se atribuir a nenhuma vontade racional. O segundo fatalismo, que por todo o lado desperta, faz parte de uma consciência que nota a que ponto, mesmo hoje, as coisas correm de modo diferente do que se pensou. Além disso, os grupos mais poderosos das sociedades modernas investiram tanto, política, ideológica, económica e vitalmente, nas técnicas de mobilização mais perigosas, que mesmo acidentes de enormes proporções não conseguem suscitar dúvidas de princípio quanto ao rumo e ao andamento do processo civilizador. Há, nesses meios, grande número de mentalidades irreversivelmente apontadas para a mobilização que, no bunker dos seus reflexos, resistem a todos os abalos. De encontro a semelhantes estruturas, a evidência da catástrofe, mesmo quando realmente presente, faz ricochete. Para elas, a revelação não tem lugar. Afinal, as consciências são mais duras do que os factos, e quem não quis ouvir, quando ainda era possível ouvir, tornar-se-á também indiferente ao sentir".

Slöterdijk, P. (2002 [1989]). A Mobilização Infinita. Para uma crítica da cinética política. Lisboa: Relógio d'Água, pp. 77-78, (Orig.: Eurotaoismus - Zur Kritik der Politischen Kinetik, Surkamp Verlag Frankfurt am Main, 1989)

DA CATÁSTROFE E DO MUNDO ACTUAL

"Algumas perguntas são, agora, inevitáveis. A civilização alternativa precisa, pois, da catástrofe? Está, como às vezes se suspeita, secretamente de acordo com as catástrofes? Tem de estar dependente da calamidade, porque só esta cria um ambiente, no qual as ideias alternativas podem encontrar grande aceitação? É indispensável a catástrofe para que se inicie uma outra evolução, tal como pode ser indispensável uma mestra que acaba por convencer mesmo os ânimos mais renitentes da bondade das suas lições? Os homens precisam, finalmente, da catástrofe, porque têm de ser educados e só podem ser educados desde que passem pela escola do pior? Não estão, por consequência, as esperanças reais dos movimentos alternativos ligadas a cálculos de ensino pela catástrofe — tanto quanto é verdade que somente o ensino prático do que é mau pode iniciar uma viragem para o que é melhor?"

Slöterdijk, P. (2002 [1989]). A Mobilização Infinita. Para uma crítica da cinética política. Lisboa: Relógio d'Água, p.73, (Orig.: Eurotaoismus - Zur Kritik der Politischen Kinetik, Surkamp Verlag Frankfurt am Main, 1989)

DO MUNDO ACTUAL

"Cada época tem o seu próprio estilo de estar insatisfeita com o mundo. Cada descontentamento com o mundo, que tenha tomado consciência de si, traz consigo o germe de uma nova cultura.
A actual insatisfação com o mundo apresenta traços pânicos inconfundíveis. Quem não sente o pânico, é porque não está ao corrente. Vive, provavelmente, afastado da agitação, numa caverna anacrónica, posto em sossego, poupando-se, vivendo de rendas, talvez até feliz, relegado para uma província, aonde não chegam as notícias. Para alguém se manter afastado do pânico, teria de ser capaz de edificar uma pequena felicidade. Haveria de ter ainda o velho sistema imunitário psíquico, que se protege de grandes questões, graças a preocupações imediatas. Mas a imunidade ao pânico tomou-se uma raridade — tal qual como o alheamento credível do mundo. Quem leia jornais e coma cogumelos já está contaminado. Mesmo os ânimos construtivos já não podem, afinal, chegar mais longe do que a uma pequena positividade sobre um pano de fundo pânico. A boa vontade já não tem nenhum denominador comum com o curso do mundo".

(Slöterdijk, P. (2002 [1989]). A Mobilização Infinita. Para uma crítica da cinética política. Lisboa: Relógio d'Água, pp. 67-68, (Orig.: Eurotaoismus - Zur Kritik der Politischen Kinetik, Surkamp Verlag Frankfurt am Main, 1989)

100 anos atrasado

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Todos sabemos que há atrasos nas devoluções de livros às bibliotecas. Mas há casos que ultrapassam o razoável. Os funcionários da biblioteca de Vantaa, no sul da Finlândia, não contiveram os seu espanto quando receberam, de forma anónima, "Vartija", um livro religioso editado em 1902 e devolvido um século depois de ter sido requisitado. Sem perder o bom-humor, a binliotecária Minna Saastamoinen frisou que seria impossível aplicar a multa pelo atraso, seria astronómica, acrescentando que "há apenas uma nota no livro, que avisa sobre uma coima de 10 cêntimos, por cada semana, caso houvesse algum atraso na devolução".

Os Meus Livros

E esta, heim?!

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

1º Maio

Expressão de Liberdade


Vale a pena ler o artigo "User-Generated Censorship" de Annalee Newitz publicado na AlterNet a 30 de Abril de 2008.


É verdade o que a autora afirma, no que respeita à facilidade com que algumas mentes mais obtusas podem tentar silenciar as palavras de qualquer blogger.

No entanto, a maravilha da web é essa mesma: uma teia... uma rede.. um circuito aberto... que de certa forma traduz o que se passa com o nosso cérebro: uma rede neuronal complexa, em que as células estabelecem milhares de conexões entre si… e na presença de lesões, iniciam-se processos de reorganização e regeneração… geram-se novas sinapses… Chama-se plasticidade neural.

Serve o presente post, para saudar os colegas da “tasca” e congratular o Braganza Mothers, que acima de tudo é e será, em qualquer cantinho da net, a EXPRESSÃO DA NOSSA LIBERDADE.

Brigada a todos.




Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

May Day!...


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

AQUI

O Dia que eu mais odeio


Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

O dia 1º de Maio dá-me sempre uma depressão inexplicável, porque toda a vida passei a defender uma Civilização do Ócio, e agora vêm com os maus exemplos Chineses, e as 50 horas da Finlândia, e a Marcela que dorme 5 horas por noite, só para ter tempo de cozinhar toda a intriga quotidiana. Adorava que criassem o Dia do Ocioso, para eu ir com um cravo pastel na mão, como naqueles tempos da minha adolescência, em que era "dandy" e andava com a bengala do meu avô na rua, e um botão de rosa na lapela. Acho que o trabalho nunca tornou feliz ninguém, e é uma espantosa metáfora social para obrigar os humanos a não terem tempo de levantar os olhos do chão e contemplar as estrelas. Pessoalmente, detesto trabalhar, e finjo sempre que estou a fazer qualquer coisa, quando estou, tão simplesmente, a pôr no forno uma nova ideia para tornar os meus conterrâneos mais felizes. Uma gargalhada vale muito mais do que qualquer dia de trabalho, e só imaginar que ponho pessoas, de manhã, a chegarem, estremunhadas, a infectos locais de trabalho, "open-spaces" de heterossexuais passivos do Millennium-BCP, funcionárias do Fisco, Professoras Divorciadas, Funcionários da Nato e do Banco Central Europeu, sei lá, toda essa maré que nos visita, a abrir o computador e a rir, só para demonstrar como se pode avacalhar a maior depressão desde 1929, só isso me faz... trabalhar. Agora, horários, rotinas, gravatas -- as traças já devem ter dado cabo das minhas Madeleine Vionnet, rai's parta, mas eu acho que as traças não comem seda, é melhor nem ir confirmar..., nesse tempo, há cinco anos atrás, eu ainda acreditava no Mundo e na Place Vendôme!... -- não, não e não. Quando o P.C.P. insulta a badalhoca de Vilar de Maçada e lhe ameaça pôr uma Moção de Censura, faz muito bem. Todos os acordos devem ser sabotados, como diria Álvaro de Campos, mas não o diz aquela sinistra alínea do Tratado de Bilderberg, que afirma que os Sindicatos já não são os elos de ligação entre a mão-de-obra e o empregador, mas franjas dialogantes e cooperantes (!) com os Governos. Isso vai para lá do extraordinário, sobretudo para mim, que pertenço a uma Intersindical do "Dolce far niente", oh, oh...