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segunda-feira, 7 de julho de 2008

Correio da Lola - Terá a Lola ardido nalgum vão de escada?...

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Querida Lola:
Lembra-se de mim?... Sou o Serafim Saudade, fizémos, uma españolada, há 20 anos, ali para o lado do Parque... Fiquei muito preocupado consigo, ontem, ao ver a Avenida da Liberdade da arder. Só deus sabe a angústia que me deu de a menina ter sido apanhada pelas "lavaredas", nalgum vão de escada...
(Serafim Saudade, Calçada da Glória, Lisboa)

Querido Serafim:
Os registos das minhas españoladas são como os Livros de Termos da extinta Universidade Independente: ao fim de um certo tempo faço, "delete", e queimo-os logo, para não ficar afogada em melancolias de homens bons que já se foram... No tempo em que ainda havia homens, e não galheteiros proibidos pela ASAE, à espera, o tempo todo, de que lhes metam dentro palitos de ponta grossa... Claro que não fiquei presa nalgum vão de escada a arder, filho. Eu sou das finas, não sou uma puta daquelas que atacam nos Restauradores, eu só frequento a parte de cima da Avenida, perto da Vuitton, da Armani, do Deutsch Bank, e dessas marcas todas... O ideal, mesmo, é a esquina da rua das traseiras do "Diário de Notícias", a 100 metros da Dª. Senhora Câncio, se houver algum acidente, começo aos gritos, e vêm logo os guarda-costas que o Estado paga para o pau-de-cabeleira, acudirem-me... Olhe, eu sei que vai achar horrível o que eu vou escrever, mas, para mim, que passo a noite neste deserto que é a Lisboa depois das 22.00 h..., querido, por mim, os que pegaram fogo aqueles pardieiros lá de baixo, só fizeram o que se faz, há muito, em Milão: sempre que um processo não avançava, deitava-se fogo à baiúca, e construía-se a seguir!... É o Método Champalimaud, e deve escrever um email à Drª. Leonor Beleza, e ao Dr. Dias Loureiro, que eles explicam-lhe já como se faz e como funciona. No fundo, eu queria era que incendiassem, mas era, os prédios não-devolutos, aqueles que estão ocupados pelas agências de agiotagem, pelos seguros, pelos bancos, pelas empresas, pelos escritórios, pelas lojas de merdunças, e que fazem que a cidade fique um sahara, a partir do cair da noite. Que pegassem fogo a essa cidade morta, e deixassem em paz os vãos de escada dos prédios devolutos, que é aí que a cidade ganha actividade, pela noite dentro. Cada prédio em ruínas é uma Nova Iorque fora de horas, cheia de vida e comércio... tradicional, maridos que ali descarregam nos "air-bags" das travecas toda a violência doméstica que, em caso contrário, iriam praticar nas esposas e nos filhos, estudantes longe de casa, que vêm procurar em nós aquilo que as namoradas não fazem, árbitros desesperados do "Lohby"... meu deus, cada vão de escada abandonado é como um recife de coral, um pequeno paraíso a preservar!... De cada vez que arde um, perdem-se não sei quantos espécies endémicas. Adorei ver aquela velhinha, que saiu de casa só com as chaves: somos grandes conhecidas, e, quando eu era mais nova, era para o andar dela que tocava, para me abrir a porta da rua.... dizia-lhe sempre que era engano, mas ela, muito caridosa, facilitava-me sempre a vida. Também fui honesta com ela, e engoli sempre, não lhe sujando o patamar!... Quanto ao resto, aquelas montras de néons, e vazias a noite inteira, aqueles balcões muito polidos, aqueles monitores tft e poltronas "hi-tec", à média luz... querido, era só organizarem uma brigada do parte-vidro, deita-gasolina e acende um fósforo, que eu me tornaria imediatamente numa Nera Burning Lisbon, já hoje. Se calhar, nem era preciso, porque já corre aí o boato da electricidade estática ligada aos incêndios, sim, filhos, a electricidade estáticas de HORAS e HORAS, num frenético mete-e-tira... Kisses!...

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O país que perdeu em tudo

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas
Imagem do KAOS
(NOTA: ESTE TEXTO FOI-ME DITADO A MIM, LOLA CHUPA, PELO ARREBENTA, EXILADO EM CAPRI, ATRAVÉS DE UMA MESA DE PÉ-DE-GALO, IMITAÇÃO ESTILO "QUEEN ANNE")
Para eu vir aqui falar de Futebol, imaginem em que estado de degradação a Coisa já não está... Pois está, e ainda bem que a España ganhou hoje. Não tenho nada de Iberista, sou Europeu, Ocidental, adulto e Zulu, e, por isso mesmo estou felicíssimo com que o País-que-pensa-com-os-pés tenha apanhado um valente pontapé indirecto. O Futebol, coisa que execro, ao mesmo nível dos Gatos Fedorentos, dos carros de alta cilindrada -- e tenho vários que me levam onde eu quiser, é só pedir -- e das produções do Nicolau Breyner, por muito que se queira, ou não queira, é uma das manifestações da cultura popular contemporânea. Acontece que não vai lá com causas naturais nem milagres da fé: vai com trabalho, com uma envolvente que não seja permanentemente nociva e ácida, e não é fruto de um deserto, é o estructo de toda uma maré civilizacional. Não é às finais de Futebol que a España chega, não, a España chega às finais de Ténis, de Dança Artística e de imensas outras modalidades que agora me escapam, e só lá chegou porque levou um valentíssimo virote, desde que o Generalíssimo Franco bateu a bota, pensando que deixava o futuro nas mãos de mais um inapto Bourbon, e para azar dele, o Bourbon não era inapto, e até se chamava Juan Carlos.
No mesmo tempo de integração europeia, a España deu dos mais fantásticos saltos que qualquer novo membro poderia dar: fez o luto com a Direita Extrema, arrumou os crucifixos no seu sítio próprio, as paredes das Igrejas, disse aos Ministros Opus Dei de Franco que tinha cartilhas mais interessantes para se reger, autonomizou-se, tornou cada uma das suas Regiões orgulhosa consigo mesma; montou uma rede de Alta Velocidade, fez as Revoluções Sexuais, pôs no Governo mulheres com ar avançadíssimo e europeu, teve González, que, desculpem-ma lá, mas vai sair, adorava, como eu, bonsais, acatou Aznar, e pô-lo fora, através de um memorável movimento cívico, casou um Príncipe com uma dactilógrafa anoréctica, e aceitou tudo com um sorriso simples, bate-nos nos salários, nos preços, na Cultura, na Pintura (meu deus, o que España já deu à Pintura!...), na Música, na Literatura, no Turismo, em todos os indicadores de qualidade de vida.
O que aconteceu hoje foi a mais vigorosa lição de patriotismo com que poderíamos apanhar nos cornos: finalmente, disseram-nos, preto no branco, que tínhamos falhado em tudo, sobretudo na nossa (deles) última esperança, a Merda do Futebol. Adorei ver as expressões de desilusão pela rua, porque o macho lusitano, mais a sua legítima de bigode, tinham sido atingidos com uma patada subliminar no seu brio. Afinal não bastava deitar os búzios, comprar gel, pagar orgias a putas inglesas, para se esconder a impotência, manter o segredo, os oráculos dos "balneários", os "misteres", os milhões do branqueamento, a fuga ao fisco, os apitos de todas as cores, a arrogância de uma escumalha que não sabe alinhavar a ponta de um discurso, e que, saída da barraca, tem uma tripla acção nociva, e continuada, sobre a nossa sociedade cataléptica: 1) espalhar a ideia de que a barraca pode produzir ouro; 2) que todos nós -- e este "todos" é uma mera generalização literária -- estando, na barraca, muito quietinhos -- poderemos ter, um dia, por obra e graça, direito a uma meia qualquer meia horinha wahroliana de glória; 3) que a barraca tem, afinal, uma função histórica e social, algures entre os Planos da Zona Ribeirinha e os Planos de António Vieira, António Quadros e Fernando Pessoa para a génese do Quinto Império.
A grande mensagem do Futebol, em Portugal, foi que a persistência da Barraca poderia conduzir ao advento do Quinto Império, igual à Jerusalém Celeste, idêntica em comprimento, altura e largura.
Quando vejo passar os "Meninos de Ouro" penso sempre: será que estes meninos de ouro, nos intervalos do seu ócio de meio neurónio e do seu narcisismo, fortemente alimentado por uma sociedade potencialmente homossexual, que não percebe que está a efectuar cópulas mediadas, e mediáticas, com estereótipos de homens com que nunca assumiriam poder sentir desejo, e que leva "as gajas" atrás, para fingir que está tudo bem, será que estes meninos de ouro não poderiam ter feito um pequeno esforço para apagar a Barraca de onde (quase) todos vieram, e erradicar a Barraca do nosso imaginário e penitência históricos?...
Não podem.
Para isso era necessário que soubessem o que era uma Barraca, e isso vai muito além do que poderiam sonhar, e radicaria nos Estóicos, e nas turbulências por eles provocadas em todo o Pensamento Físico e Metafísico futuros. O Atomismo da Barraca. A Barraca é sair dela, como diria Álvaro de Campos, e passar direitinho para um buraco, entre a cona e a baliza, e um par de mamas, de alta cilindrada, cuspindo para o chão, e cuspindo para trás e para o lado, para cima de todos nós, que pagamos este folclore caríssimo, que mais não é do que uma metáfora do desastre presente.
Hoje, dei comigo a olhar para o Velhote, o Aragonês, e a sentir uma enorme simpatia por ele. Parecia, ao nível do pé, Lao-Tsé, e isso é complicado, sobretudo quando pomos a comparação naquela coisa dúbia, pegajosa e venal, que agora foi trabalhar para a Máfia Russa do Chelsea. Máfias, Russas, dinheiros sujos e alternidades, nisso, sim, somos exímios.
Gostei de ver o Rey, e sentir que era uma PRESENÇA, ao contrário do Aníbal, que sempre que aparece, imediatamente traz às memórias da mente e do coração um corropio de anedotas rascas, piores do que a qualidade dos tecidos que a Maria veste. Gostava de saber se Zapatero, ou Asznar, andaram na "Independente", e se se teriam mantido no posto, se tivesse havido um escândalo de diplomas, como houve por cá. O Duque de Féria foi à vida, com o escândalo da Casa Pia de lá, e era Grande de España. Baltazar Garzón foi a Santiago buscar, pelas orelhas, o criminoso Pinochet. A España abriu precedentes de condenação internacional, para criminosos sem fronteiras, e não os coloca na OCDE, ou lhes arranja exílios dourados onde calha.
Portugal é a sombra que se desenha no chão, sempre que a luz da Europa incide, em cheio, no perfil da centrífuga España.
Hoje, num extremo ao outro do quadrado cispirenaico, com todas as suas nacionalidades e tradições, sentiu-se um momento de unidade, e nós apanhámos com as sobras psicanalíticas em cima, e vamos ficar meses a fazer a (in)digestão.
Eu sei que isto já chegava para o texto de hoje, mas quero ainda partir um pouco mais: a China, parca de recursos, e carente de energia, lançou mão a tudo o que pode em Angola, e apoia descaradamente aquele cangalho insolente do Zimbabué, porque só tem a visibilidade que lhe dão. Os últimos a apertarem-lhe a mão foram os dois escroques que a nós, Europeus civilizados, apertam o pescoço: Sócrates e o "Cherne". Disseram-lhe que estava tudo bem, e ele podia continuar, e ele, preto, velho, badalhoco, racista, homófobo, assassino, misógino e todas as outras qualidades que um ser humano pode reunir, acreditou, e passou a sofrer da Síndroma de Saddam: "eles" nunca se atreverão a fazer-me mal... Engano. Aparentemente a Condolezza, outra das nódoas da nossa Contemporaneidade, já lhe tirou o tapete e revelou o verdadeiro jogo: as Potências preparam-se para redesenhar o Mapa-Cor-de-Rosa, de Angola à contra-costa: primeiro, um artolas cantador, que disse que Luanda era governada por criminosos -- espantosa novidade... -- e, agora, ao lado, temos o novo alvo, e só Mozambique está salvaguardada, porque os "Boers", cabelo cenoura e olho azul, foram para lá reconstruir a perdida África do Sul. A China é discreta, mas, ao atacar-se o Mugabe, o tiro é para atingir Pequim, como se no Mundo não houvesse outras prioridades ao nível do Zimbábue.
Infelizmente, neste "Príncipe" alargado, o Príncipe da Baixaria, a lei continua a ser a do toma-lá-dá-cá: levais a Coreia do Norte, que não vale um caracol, e deixou de ser O MAL (!), em troca, nós avançamos pelos recursos africanos. Olha, querida, por que não fazes antes um ensaio geral de indignação na Birmânia, em Darfur nos desgraçados todos de cujas terras já nem me lembro, mas não têm recursos debaixo dos pés?... Esse é o próximo filme, no dia em que, psicanaliticamente, apanhámos um valente pontapé nos colhões. É certo que ficámos sem nada... perdão, errei, ainda temos Fátima, a Mariza, e 93,7% de sucesso nas Provas de Aferição de Matemática, e podemos dedicar-nos a fugir da bomba sem pagar, ao "carjacking" e a inaugurar os fogos-postos nas florestas, que a época oficial abre amanhã. Civilização, suponho eu.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Correio da Lola - O aumento dos combustíveis traz quebra de clientes, no Conde Redondo?...

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Querida Lola:
Estou agora a ler no "Destak" que os Judeus que especulam nas Bolsas Mundiais vão fazer chegar o preço do petróleo aos $150 US, dia 4 de Julho; que na Abertura dos Jogos Olímpicos de Beijing, antes do Grande Atentado da Al-Hollywwod-Qaeda, em que vão morrer milhares de pessoas com os olhos em bico, estará nos $200 US, e que, em 2009, quando for para eleger o Senador McCain e vir a Segunda Maioria Absoluta do nosso Sócrates, o barril já estará a $300 US. Querida, seja sincera: de que modo esta crise está a afectar o seu negócio?...
(Wagner d'Orey, Altíssima de Lisboa)
Querido Wagner:
Antes de mais uma pequena correcção: eu não tenho negócio nenhum, negócios têm vocês, que trabalham 65 horas por semana, a tentar lixar a vida ao cidadão comum. Eu sou uma profissional independente por conta dos outros, e junto o útil ao agradável, ou seja, faço-me pagar por coisas que só deus sabe quanto de graça eu não faria... Quanto à crise, ainda não vi crise nenhuma. Os meus silicones não são derivados do petróleo, e faço tudo ao natural, de maneira que não gasto dinheiro em borrachas de látex. Ainda por cima sou católica, se usasse borrachinhas era contra a minha Fé, e tinham de ter um buraco na ponta. Para terem um buraco na ponta, acho melhor poupar... essa de andar a pôr dedaleiras na ponta da picha é o maior disparate que já ouvi na vida, isto, um vírus, quando tem de vir, vem mesmo, não é por causa das dedaleiras, mas eu estou sempre protegida: trago dentro do "soutien" um rosário, de maneira que ao fm da noite, depois de 34 comportamentos de risco, faço uma reza à Sãozinha, e vou dormir descansada. Tenho uma vidente que me disse que eu teria um... "azar"..., mas só aos 83 anos, mas, nessa idade, filho, "who cares?..." Agora, deixe-me que lhe diga uma coisa: antigamente, com a gasolina e o "gasoil" ao preço da vulva mijona, eles passavam noite e noites às voltas, rua acima, rua abaixo, até se decidirem a parar o carro, baixar o vidros foscos, e perguntar "é grande, ou... pequeno?..." Claro que é grande, ninguém se safa, nesta vida, se não for grande. Hoje em dia, há uns carros que dão só uma volta, e páram logo, baixam o vidro fumado, e perguntam, "é grande, ou... pequeno?..." Ai, a esses, ponho um ar de Ferreira Leite e digo logo, "ó, filho, deves ser pobre, para te aguentares só com uma volta de carro, por acaso, até é grande, mas daqui não levas caralho, aproveita o fundo de depósito que ainda tens, e vai ter com a tua senhora, para que te enfie uma receita tradicional de cabo de colher de pau pela peida acima!...", assim mesmo, com o tom mais ordinário que a minha mãezinha, que deus tenha, me ensinou. É claro que ainda há aqueles que continuam a passar as noites a girar, a girar, a girar, mas esses, que devem andar ali a branquear capital, ou que são da Selecção Nacional, ou do Sindicato dos Árbitros Comprados, mal baixam o vidro, nem os deixo fazer a pergunta, e quem fala sou eu, e é logo assim, "olha, rico, para teres dinheiro para teres andado 3 horas a aumentar o CO2 do ar aqui da esquina, mais valia que tivesses aberto essa braguilha e coisado essa amostra para fora, porque a Atmosfera precisa de tudo menos de CO2, querido, e a minha boca ia muito mais consolada com um jacto de proteínas... é, não é?... depois de 3 horas de maratona, achas que ainda tens força de cuspir seja o que seja?... Vai mas é ter com a tua legítima, que te meta um biberon na boca, e tenta dormir até amanhã, para levares os teus filhos ao Colégio São João de Brito!..."