Mostrar mensagens com a etiqueta Há mais Verdades Inconvenientes para além da do Al Gore. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Há mais Verdades Inconvenientes para além da do Al Gore. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 10 de julho de 2008

as guerras do petróleo

neste quadro podem comparar-se os consumos das economias emergentes, e, em particular da China com os Estados Unidos e verificar-se que a China produz cerca de metade do que consome, ao passo que os Estados Unidos apenas produzem um terço dos seus consumos e que o seu consumo corresponde ao total de todos os países emergentes.

Este quadro mostra claramente que os maiores aumentos do preço de petróleo se verificaram a seguir à invasão do Iraque e de forma acelerada a seguir à crise des sub-primes, como valor refúgio e fortemente sujeito a especulação.

sábado, 10 de maio de 2008

Patamares das Verdades Inconvenientes


Parece-me importante começar hoje por clarificar alguns aspectos laterais, tendo em conta a natureza das minhas anteriores publicações. Seria importante, antes de mais nada, que todos os colaboradores e leitores do Braganza Mothers tivessem em conta um facto relevante: nada, mas absolutamente nada, do que tenho escrito ultimamente, pode ou deve ser interpretado como uma crítica pessoal a esta ou àquela pessoa, ao seu modo de vida ou às suas escolhas pessoais. Se, por acaso, alguém se sentiu atingido pelos meus discursos frontais sobre os consumistas estilos de vida dos nossos tempos, bem que pode esquecer por completo essa perspectiva, porque não estou aqui para criticar ninguém pessoalmente. A minha posição não é moralista, não é anti-materialista, não é anti-consumista, não é anti-hedonista. E se, por algum momento, julgou que as minhas palavras soavam à repetição de discursos de cariz religioso (moralista) sobre os estilos de vida de cada qual, está muito enganado porque não é esse o propósito que orienta estas publicações.

Se por acaso sentiu que era o “alvo” das minhas palavras, bem que pode sair desse patamar e prestar uma maior atenção a questões menos mesquinhas e um pouco mais elevadas. Apesar dos meus discursos interpelarem cada um dos meus leitores com perguntas sobre as suas opções pessoais, o objectivo concreto de semelhante interpelação destinava-se exclusivamente à necessidade de cada um de nós perceber que, para além das questões que tanto nos preocupam diariamente, há outras, escondidas por detrás delas, bem maiores, bem mais graves, bem mais merecedoras da nossa atenção e do nosso empenho.

Se sentiu que as minhas palavras lhe eram dirigidas, como uma crítica pessoal, bem que pode esquecer essa perspectiva. Digamos que o lugar onde escrevo estas palavras não se situa na varanda do seu vizinho mas sim na Estação Espacial Internacional. Estou-me a borrifar para as escolhas de cada um e para a vida que cada um leva. O meu problema tem a ver com as opções da Humanidade no seu todo e não com o que cada um faz ou deixa de fazer. Tem a ver com as consequências da multiplicação desmesurada do consumo num contexto real de quadruplicação da população mundial no período de um século (1950-2050) e não com a crítica a esta ou àquela pessoa.

Não se tratava, pois, de criticar o seu estilo pessoal de vida mas si de o levar a reflectir sobre factos que, provavelmente, nunca questionou. Eu não tenho nada contra o facto de você (quem quer que seja você) querer discutir moda, as actuais eleições no PSD (ou amanhã as de qualquer outro partido), as eleições nos EUA, as diatribes de Sócrates, o défice orçamental, o Papa, a ministra da educação, o mundo do futebol, os McCann, a Casa Pia, ou até outros assuntos de natureza mais esotérica como as teorias da conspiração, os Bilderbergs ou os Priorados de Sião. Cada um é livre de escrever o que quiser sobre os assuntos que muito bem entender. No entanto, pessoalmente, quando vejo as pessoas discutir e preocupar-se com certos assuntos da actualidade (às vezes de forma particularmente intensa), só me parece que se assemelham ao casal que discute acesamente qual a estação de rádio que devem sintonizar, enquanto conduzem um carro a 200 Km/hora em direcção a um precipício. E, quanto mais se aproximam do abismo, mais discutem o acessório e menos se preocupam com o essencial.

É óbvio que você pode dizer que eu estou completamente errado. Que não há nenhum problema decorrente do esgotamento próximo do petróleo. Que isso do Aquecimento Global são lérias. Que é indiferente este Planeta ser habitado por mil milhões de habitantes ou por 100 mil milhões. Ou ainda que é indiferente este Planeta ter 600 milhões ou 6000 milhões de habitantes com padrões de consumo elevados. Você até se pode convencer que não estamos perante ameaças gravíssimas. Eu diria que, quem assim pensa, só se quer enganar a si próprio. Prefere enterrar a cabeça na areia, fingir que o problema não existe, que não é grave e que não exige muito de todos nós. A atitude de negação das actuais ameaças sobre a Humanidade é, tão só, apenas um sinal de irresponsabilidade, de miopia e de autismo.

Num dos meus anteriores textos, um anónimo perguntava-me se eu tinha a certeza sobre tudo o que estava a antecipar. Eu já disse que certezas não tenho, não posso ter e nem as quero ter. E muito menos desejo que as minhas incertezas se confirmem. Mas reparem bem que, quando alguém se interroga quanto às minhas certezas, apenas parece desejar respirar de alívio quando eu respondo que não as tenho: “Ufa, que alívio! Afinal de contas o Paulo Pedroso não tem a certeza. Já posso dormir descansado porque isso quer dizer que as catástrofes que ele prevê já não vão ocorrer”. Parece-lhe mesmo as minhas incertezas são garantia de que não se aproximam tempos terríveis? Acha mesmo que as minhas incertezas são razão suficiente para você ficar com a certeza absoluta de que não existem ameaças à escala mundial? Ou seja, perguntam-me se eu tenho a certeza de que se aproxima o horror mas não se interrogam quanto à vossa certeza de que ele não se aproxima?!!!

E não confundam o mensageiro das más notícias com as más notícias. Não se comportem infantil e arbitrariamente como os reis que mandavam degolar os mensageiros das notícias desagradáveis. Penso que as próximas décadas poderão ser muito complicadas para a Humanidade. Mas, por favor, suba uns patamares, ponha a fasquia um pouco mais alta e deixe de pensar que eu desejo esses tempos e essa realidade. E ainda menos que estou ao serviço de entidades “demoníacas” porque leituras dessas são para aqueles que preferem uma realidade simples, com todos os itens bem classificados e metidos em gavetas estanques.

Acha que os seis milhões de judeus exterminados pela besta nazi teriam ficado, impávidos e serenos no mesmo sítio, se soubessem em 1938 o que iria ocorrer nos campos de concentração nos anos seguintes? Se alguém os tivesse avisado, antes de 1939, quantos teriam acreditado que a Alemanha seria capaz de semelhante barbárie? Provavelmente, muitos deles teriam recusado a ideia de que Hitler fosse capaz de semelhante solução. “Não – diriam – Hitler odeia os judeus mas não pode ser tão monstruoso ao ponto de assassinar dessa forma famílias inteiras. Não, nos tempos que correm, genocídio semelhante é impensável. Exterminar assim milhões de pessoas? É impossível!” E continuariam, muitos deles, convencidos de que não se aproximavam tempos terríveis. Mas, se tivessem tido a oportunidade de ver para além da cortina de fumo do dia-a-dia, quantos deles não teriam largado tudo e por todas as formas não tentariam escapar a tempo às garras do nazismo? Se, em vez de se preocuparem com o preço da batata e em vez de se concentrarem com a vida do clube local de futebol, tivessem vislumbrado o sentido mais profundo e terrível da marcha da História, quantos não teriam alterado radicalmente o destino das suas vidas e da dos seus familiares?

Ao longo da História da Humanidade, já se ergueram e já desabaram imensos reinos, impérios, religiões e civilizações. Pelo caminho, milhões de seres humanos foram passados a “fio de espada” pelo rumo do devir Histórico. Quantos desses milhões terão desejado enfrentar as mudanças e, principalmente, as consequências dessas mudanças? Quantos terão sido capazes de antecipar as ameaças que se aproximavam? E quantos puderam fazer alguma coisa? Enquanto apontavam o dedo acusador a qualquer coisa à frente do nariz, não vislumbravam as verdadeiras causas que se escondiam por detrás da fumaça e que explicavam a natureza, o tipo e a intensidade das mudanças. E você, vai continuar a focar os objectos que se encontram à sua frente ou vai definitivamente focar o horizonte?

Os textos que tenho publicado não reflectem preocupações de agora. Já me venho interrogando, há muitos anos, sobre as consequências para a Humanidade do fim dos recursos energéticos fósseis, dos efeitos do aquecimento global e do aumento desproporcionado da população. Confesso que, durante muitos anos, depositei grandes esperanças quanto à capacidade da Ciência dar resposta a estas questões. No que diz respeito à questão energética, por exemplo, desejava profundamente que a Física Nuclear fosse capaz de alcançar a produção rentável de energia através da fusão nuclear. Os especialistas diziam, há uma década atrás, que talvez fosse possível alcançar esse objectivo em meados do Século XXI. Hoje, dizem-nos que, na melhor das hipóteses, só nos finais do Século XXI e, não são sequer capazes de assegurar o seu sucesso. Se a Fusão Nuclear, economicamente rentável, fosse alcançada, grande parte do problema energético da Humanidade estaria resolvido, embora não deixássemos de nos deparar com os problemas decorrentes do Aquecimento Global ou do sobrepovoamento planetário.

A propósito de Aquecimento Global, quantos dos meus leitores foram ao cinema ver o documentário “Uma Verdade Inconveniente” de Al Gore? Isso de ir ao cinema é só para entreter? Gastar 5€ por um bilhete de cinema para ver um documentário é coisa que não lhe passa pela cabeça? Pois, se viu, espero que tenha aprendido alguma coisa. Se não, ainda está a tempo de alugar o DVD no clube de vídeo. E, se tiver filhos ou netos, deve ir a correr alugar esse documentário.

Apesar de nunca ter escrito nada de especial sobre estes assuntos, as questões ambientais constituem uma preocupação pessoal importante desde há muito tempo. Os sinais de que se aproximam tempos conturbados são, para mim, cada vez mais visíveis e tornam-se progressivamente mais nítidos. Você pode escudar-se, dizendo que isto é pânico, insegurança, discurso teleológico, apologia do apocalipse, catastrofismo, negativismo, enfim, pode negar à vontade. Eu deixo-o apenas com uma pergunta: tem a certeza que estas ameaças não são reais? Esta é uma pergunta que eu posso responder facilmente: não posso adivinhar o futuro mas, SIM, tenho a certeza de que estas ameaças são bem reais. Só não tenho a certeza quanto à capacidade da Humanidade para as compreender, para as discutir, para as enfrentar e, principalmente, para as superar. O primeiro passo para as superar depende de como as enfrentamos. O primeiro passo para as enfrentar depende de como as discutimos. O primeiro passo para discutir estas ameaças depende se somos capazes ou não de as compreender em toda a sua dimensão, poder e magnitude.

Já agora, nunca ouviu dizer que, “quem te avisa, teu amigo é”?